O Senado aprovou todos os 29 nomes indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) desde 1988. O placar de cada votação mostra que o menor número de votos favoráveis foi dado a Francisco Rezek, em 1992, com 45 votos. O recordista de aprovação é Luiz Fux, com 68 votos favoráveis em 2011.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, é o indicado mais recente. Para ser aprovado, ele precisa de 41 votos favoráveis no plenário do Senado. O governo calcula ter 50 votos, enquanto a oposição estima que ele não passará de 35.
Entre os indicados do governo Lula nesta gestão, Flávio Dino e André Mendonça tiveram o maior número de votos contrários: 31 e 32, respectivamente. Dino foi aprovado com 47 votos a favor, mesmo número de Mendonça. Já Cristiano Zanin, o primeiro indicado de Lula, recebeu 58 votos favoráveis e 18 contrários.
A análise política indica que fatores como a relação do Palácio do Planalto com o Senado e o contexto político influenciam o resultado das votações. O professor de ciência política Roberto Goulart Menezes, da UnB, afirmou que a baixa votação de Rezek, por exemplo, foi reflexo da crise do governo Collor, e não da figura do ministro.
A professora de sociologia Débora Messenberg, da UnB, afirmou que a polarização política tem definido as votações nos últimos anos. Segundo ela, a análise técnica foi substituída por interesses políticos do Executivo.
Messias tenta garantir os votos necessários. Ele se reuniu com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que teria garantido um ambiente tranquilo para a sabatina. A avaliação dos presentes, no entanto, é que Alcolumbre segue resistente à aprovação.
A sabatina do indicado na Comissão de Constituição e Justiça está marcada para 28 de abril. O relator, senador Weverton Rocha, atesta que Messias cumpre os requisitos constitucionais para a vaga, que será aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.
