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Tesouro IPCA+ 2032: Armadilha ou vantagem?

O mercado de renda fixa hoje está pagando taxas mais altas em títulos com vencimentos mais curtos. Um Tesouro IPCA+ 2032 rende 8,3% acima da inflação, enquanto o com vencimento em 2040 está com uma taxa menor na faixa dos 7,7%. Para os especialistas em renda fixa, essa resposta não é tão óbvia quanto parece.

Embora a taxa real seja menor, o título de 2040 trava juros elevados por um prazo maior, ampliando o efeito da composição de juros ao longo do tempo. Já quem concentra recursos no papel de 2032, enfrenta o chamado risco de reinvestimento. O investidor deve levar em conta que o emissor desse título é o governo federal e, do ponto de vista fiscal, o custo de captação do Tesouro Nacional, na faixa dos 8%, é insustentável no longo prazo. Isso reforça a expectativa de que, até 2032, o governo já terá resolvido esse problema e que as taxas estarão menores.

“Por outro lado, quando a gente passa a olhar um título de prazo mais longo, esse ativo vai permitir que o investidor tenha uma taxa real atrativa por muito mais tempo”, afirma a gerente da Daycoval Investe, Priscilla Cacavallo. “Se a gente for pensar em objetivos como aposentadoria, sucessão e formação de patrimônio no longo prazo, essa previsibilidade pode até ser mais valiosa do que buscar uma taxa maior”, complementa a especialista.

O vencimento do papel está diretamente ligado ao conceito de duration, que mede o prazo médio de retorno do investimento e sua sensibilidade à variação dos juros. Os títulos de mais longo prazo permitem ganhos e riscos maiores para quem faz gestão ativa de carteira. Quando o investidor acredita que a curva de juros ao longo do período do papel vai cair, o retorno se torna superior para títulos mais longos porque sua rentabilidade é multiplicada pela duração do ativo.

Isso não quer dizer que o título de 2032 seja uma escolha ruim, observa João Pedro Moreno, analista de renda variável da Nexgen Capital. “Se você sabe que vai precisar do dinheiro perto dessa data, a taxa maior faz todo sentido. O problema está em usar essa taxa maior para um dinheiro que só vai ser usado daqui a 20 ou 30 anos”, diz.

Mayara Ranni comenta que a mesma lógica pode ser aplicada aos títulos IPCA+ 2032 em relação ao Tesouro Selic. “Só que a pergunta certa aqui não é se o título IPCA+ vai bater a Selic de hoje. É se ele bate a Selic ao longo dos próximos seis anos”, diz. O Boletim Focus do Banco Central mostra que o mercado espera redução de juros no horizonte até 2028, mas tem elevado as projeções, influenciado pelo aumento das expectativas de inflação e por incertezas no cenário fiscal brasileiro e internacional.

Concentrar muitos recursos na chamada caixinha de reserva de emergência significa deixar dinheiro na mesa. “Faz muito mais sentido avaliar uma estratégia, um pedaço desse capital em prefixados, outro pedaço na inflação e o restante em outras estruturas de diversificação”, ensina Priscilla Cacavallo. “Liquidez também tem um custo.”

O fenômeno da curva de juros invertida acontece quando o mercado financeiro entende que os juros atuais estão temporariamente elevados e que, ao longo dos próximos anos, vão convergir para níveis menores. “O mercado está precificando que o juro real de hoje é alto demais para durar décadas, então cobra menos nos vencimentos longos porque espera uma normalização à frente”, diz João Pedro Moreno.

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