Insights

EUA atacam navio perto do Irã; houthis matam 4

Os Estados Unidos dispararam dois mísseis contra um navio que teria furado o bloqueio ao Irã nesta terça-feira (11). Em outro incidente, rebeldes houthis, apoiados por Teerã, mataram quatro marinheiros em uma embarcação no mar Vermelho. A violência marca uma nova escalada no Oriente Médio.

O primeiro ataque ocorreu no estreito de Bab el-Mandeb. Drones atingiram o navio de carga egípcio Tihamah, segundo o governo iemenita deposto em 2014 pelos houthis. Os rebeldes confirmaram a ação e afirmaram que a embarcação levava armas para a Arábia Saudita. Essas são as primeiras mortes causadas por um ataque houthi desde que o grupo entrou no conflito.

A ação americana aconteceu na costa do Paquistão. Um helicóptero MH-60 Seahawk disparou dois mísseis Hellfire contra a casa de máquinas do navio de carga M/V Vela Nova, de bandeira panamenha. A embarcação seguia para o estreito de Hormuz e, segundo os EUA, se recusou a parar no bloqueio. O destino declarado no plano de viagem era os Emirados Árabes Unidos.

O Comando Central dos EUA informou que 55 navios já foram desviados de curso, 2 foram abordados e 3 receberam fogo. Não houve relatos de feridos na ação contra o Vela Nova. Antes da fase atual do bloqueio, os americanos já tinham atirado contra nove navios na região.

O Irã reafirmou sua disposição de manter o controle do estreito de Hormuz. O novo chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei, disse que as negociações com Omã para dividir o controle do estreito são independentes do conflito com os EUA. Ele afirmou que Hormuz seguirá fechado e só será reaberto se os americanos concordarem com as condições do memorando assinado em 17 de junho.

O memorando levou a um cessar-fogo que ruiu no começo de junho. Na interpretação de Rezaei, as hostilidades devem acabar, os EUA precisam descongelar os ativos iranianos e a guerra na região deve cessar, inclusive no Líbano e em Gaza.

O tráfego marítimo segue travado. Em Hormuz, apenas 6 embarcações passaram na segunda-feira (10), ante 140 do período pré-guerra. Em Bab el-Mandeb, a média diária caiu de 50 para 32 navios, segundo a consultoria Kpler. O mercado de petróleo reagiu com o barril acima dos US$ 90 pela primeira vez em agosto.

Trump voltou a dizer que acredita numa solução rápida para a crise, mas prometeu ou mais pressão financeira ou ataques militares contra a teocracia. Relatos da imprensa americana indicam que a chefia das Forças Armadas não vê saída militar baseada apenas em bombardeios. O partido de Trump enfrenta eleições parlamentares em novembro, e a guerra é impopular nos EUA. Em Israel, o premiê Binyamin Netanyahu luta para se manter no poder no pleito de outubro.

Navegue por todo o conteúdo