Após Ulysses Guimarães levantar a Constituição Federal na mesa do Congresso Nacional, Brasília passou a gozar de plenos direitos políticos. A autonomia candanga virou realidade e, após discussão sobre a data da eleição, que alguns queriam ainda em 1988, ficou para 1990. Assim, cabia à população apenas a eleição de 1989.
Contexto da eleição de 1989
Na quarta reportagem sobre a autonomia política do Distrito Federal, o Jornal de Brasília aborda o comportamento da capital na primeira eleição direta para a Presidência em 29 anos. Naquele ano, Brasília decidiria de novo por candidatos à Presidência, igualada ao resto do país. O pleito contou com 22 candidaturas: Leonel Brizola (PDT), Lula (PT), Roberto Freire (PCB) e Fernando Gabeira (PV), da “esquerda radical”; Ulysses Guimarães (MDB) e Mário Covas (PSDB), de oposição institucional; e Paulo Maluf (PDS) e Guilherme Afif (PL), ligados ao período autoritário. Havia ainda o então governador de Alagoas, Fernando Collor (PRN), que já tinha relações com Brasília. Seu pai, Arnon de Mello, foi senador de 1962 a 1983.
Votação no Distrito Federal
No dia 15 de novembro, uma quarta-feira, dos 759.480 votos válidos, Lula obteve cerca de 220 mil votos (29%), quase 28 mil a mais que o principal opositor, Fernando Collor. O marqueteiro Augusto Lins disse em 2014 à Agência Câmara que Collor era um candidato pitoresco e não teria mais de 4%. No segundo turno, Lula conquistou 451.780 votos (62%), cerca de 200 mil a mais que Collor, mas o voto do DF foi vencido. Nacionalmente, Collor teve 35 milhões de votos (53%) e venceu em todo o Nordeste, com 8.872.927 votos (55%).
Mudança das datas das eleições
O pleito de 1989 marcou a última vez que o Brasil votou em 15 de novembro. A partir de então, os primeiros turnos ocorreram em outubro: 1º (2006), 2 (2022), 3 (1990, 1994, 2010), 4 (1998), 5 (2014), 6 (2002) e 7 (2018). Os segundos turnos foram em 27 (2002), 26 (2014), 28 (2018), 29 (2006), 30 (2022) e 31 (2010) de outubro. Em 1989, o segundo turno foi em 17 de dezembro. Para 2026, a votação está marcada para 4 de outubro e, se necessário, segundo turno em 25 de outubro.
Veteranos da disputa
Daquele pleito, além de Fernando Collor, eleito naquele ano, apenas Lula chegou à Presidência. Após perder em 1989, o ex-sindicalista também perdeu em 1994 e 1998 para Fernando Henrique Cardoso, e ganhou em 2002, 2006 e 2022. Em 2026, é novamente pré-candidato. Outro veterano é Ronaldo Caiado, hoje no PSD, que protagonizou embates com Lula em 1989 e ao longo da carreira, com mandatos na Câmara, Senado, e governador de Goiás por dois mandatos, sendo pré-candidato à Presidência para 2026.
