Pular menu e ir ao texto
In Cast Buscar
Negócios

Filtragem industrial de água: tipos de filtro e onde cada um entra na planta

Filtragem industrial começa pelo tamanho da partícula em micra: o filtro errado entope em horas ou deixa passar.

Por · · 6 min de leitura
Filtro de areia com válvulas e tubulação em sistema de filtragem industrial

Filtro de areia com válvulas e tubulação em sistema de filtragem industrial

Uma metalúrgica de Contagem parava a linha de usinagem toda semana para limpar os bicos de refrigeração, entupidos por areia fina que vinha do poço. A oficina de manutenção culpava a bomba, o fornecedor culpava o óleo solúvel, e o problema estava dois metros antes de tudo isso: não havia filtragem industrial na entrada da água. Um filtro industrial de água de areia com retrolavagem automática resolveu a parada semanal em uma tarde de instalação.

Filtrar água em escala industrial é diferente de filtrar em casa. A vazão é de dezenas ou centenas de metros cúbicos por hora, o filtro precisa se limpar sozinho e a partícula que passa custa uma peça, um lote ou um dia de máquina parada. Este texto apresenta os tipos de filtro, o que cada um retém, onde cada um entra na planta e como escolher pelo tamanho da partícula e pela vazão.

O que a filtragem industrial retira da água

Filtragem industrial é a remoção de partículas em suspensão da água por meio de um leito, um cartucho ou uma membrana, em vazão contínua e com limpeza periódica do elemento. Ela retira areia, argila, ferrugem, algas, fibras e flocos, e não retira o que está dissolvido, como sais, dureza ou cloro.

A medida que orienta a escolha é o tamanho da partícula, em micra. Areia e ferrugem grossa ficam acima de 100 micra; argila e turbidez ficam entre 1 e 50; bactérias e colóides ficam abaixo de 1 e só saem por membrana.

Cada tipo de filtro tem uma faixa em que trabalha bem, e usar o modelo errado significa filtro entupido em horas ou partícula passando direto.

Tipos de filtro na filtragem industrial e onde cada um entra

A tabela reúne os filtros mais usados, a faixa de partícula que retêm e o ponto da planta onde costumam ficar.

Tipo de filtroFaixa de retençãoOnde entra
Filtro de tela autolimpanteDe 50 a 3.000 micraEntrada de água bruta, proteção de bombas e trocadores
Filtro de areia ou multicamadasDe 10 a 50 micraÁgua de poço e de rio, antes de abrandador e osmose
Filtro de carvão ativadoCloro, cor, odor e orgânicosAntes de membranas e em processo alimentício
Filtro de cartuchoDe 1 a 100 micraSegurança antes da osmose, pontos de uso
Filtro de bolsaDe 1 a 800 micraVazão alta com carga de sólidos, tintas, óleos solúveis
UltrafiltraçãoAbaixo de 0,1 micraRemoção de bactérias e colóides, pré-tratamento de osmose

Na maior parte das plantas eles trabalham em série: tela na entrada, areia no meio, cartucho antes da membrana.

Como escolher o filtro certo, passo a passo

O roteiro abaixo é o que um projetista segue antes de indicar qualquer modelo.

  1. Analisar a água bruta: turbidez, sólidos suspensos, ferro, distribuição de tamanho de partícula e presença de algas ou óleo.
  2. Definir a vazão de projeto na condição de pico, com margem para a ampliação prevista.
  3. Estabelecer a qualidade exigida na saída pelo equipamento seguinte, como bico, trocador, membrana ou produto.
  4. Escolher a faixa de retenção e o modelo que trabalha nela sem entupir em minutos.
  5. Prever a limpeza: retrolavagem automática para leito, troca programada para cartucho e bolsa.
  6. Instalar manômetros antes e depois, porque a diferença de pressão é o que avisa a hora de limpar.

Leito de areia e multicamadas: o cavalo de trabalho

O leito de areia é um vaso pressurizado cheio de areia de granulometria controlada, e a versão multicamadas acrescenta antracito e granada para reter partículas menores com maior capacidade de retenção. A água passa de cima para baixo e as partículas ficam no leito.

Quando a perda de carga sobe, o painel inverte o fluxo e faz a retrolavagem, expulsando o que ficou retido para o dreno. Em planta automatizada isso acontece sem operador, à noite ou por diferencial de pressão.

É o leito padrão para água de poço com areia e para água de rio com turbidez, e protege tudo que está a jusante.

Carvão ativado: o filtro que trabalha por adsorção

O carvão ativado não retém partícula pelo tamanho, retém por adsorção: cloro, cor, odor e compostos orgânicos ficam presos na superfície porosa. Ele é obrigatório antes de membranas de osmose, porque o cloro residual da rede destrói a poliamida da membrana em pouco tempo.

Na indústria de alimentos e bebidas, ele tira o gosto de cloro que passaria ao produto. Em processo farmacêutico, retira orgânicos que interferem na etapa seguinte.

O leito satura e precisa ser trocado, em prazo que depende da carga de cloro e de orgânicos da água.

Cartucho, bolsa e tela: quando cada um vence

O cartucho é a escolha para vazões menores e para a última barreira antes de um equipamento sensível. É barato de instalar e caro de operar em vazão alta, porque o elemento é descartável.

A bolsa aceita mais sólidos por elemento e vazão maior, e é comum em tintas, óleos solúveis e água de processo com carga variável.

A tela autolimpante trabalha na entrada, com partícula grossa e vazão alta, e se limpa sozinha por escovas ou por sucção sem parar o fluxo. É o que protege bombas e trocadores de calor em água de rio e de torre.

Ultrafiltração: quando a partícula é menor que o poro do cartucho

A ultrafiltração usa membranas de fibra oca com poros menores que 0,1 micra e retém bactérias, vírus maiores, colóides e turbidez residual. Ela substitui o par areia mais cartucho em plantas que exigem água de altíssima clareza ou que alimentam osmose reversa com água difícil.

O sistema faz retrolavagem automática e limpeza química periódica, e entrega turbidez estável mesmo quando a água bruta varia.

Custa mais que o filtro de leito, mas em planta de bebidas ou farmacêutica costuma se pagar pela estabilidade da membrana de osmose que vem depois.

Perguntas frequentes sobre filtragem industrial

Filtro industrial tira sal e dureza da água?

Não. Filtro retém partícula em suspensão. Sal, cálcio e magnésio estão dissolvidos e só saem por abrandador ou osmose reversa.

Como sei que o filtro precisa de limpeza?

Pela diferença de pressão entre a entrada e a saída, lida nos manômetros. Cada fabricante indica o diferencial máximo antes da retrolavagem ou da troca.

Filtro de areia precisa trocar a areia?

Raramente. A areia dura anos com retrolavagem correta. A troca acontece quando o leito compacta ou perde granulometria.

Dá para usar filtro doméstico em escala maior?

Não. A vazão industrial entope um refil doméstico em minutos e o custo por litro fica inviável.

Preciso de filtro antes da osmose reversa?

Sim. Areia ou ultrafiltração, carvão ativado e cartucho de segurança são o pré-tratamento mínimo para a membrana durar.

Qual filtro protege bicos e trocadores de calor?

A tela autolimpante na entrada, para partícula grossa, e o leito de areia depois, para partícula fina.

Resumo

A filtragem industrial retira partículas em suspensão da água em vazão contínua, com filtros que trabalham em faixas diferentes: tela autolimpante para a partícula grossa, areia e multicamadas para a fina, carvão para cloro e orgânicos, cartucho e bolsa como barreira final e ultrafiltração para o que fica sob 0,1 micra. A escolha parte da análise da água bruta, da vazão de pico e da exigência do equipamento seguinte, e os manômetros dizem a hora de limpar. Sal e dureza não saem por filtro, e sim por abrandador ou osmose.

Divulgue: WhatsApp Facebook X
Leia também