Insights

Suécia fornecerá 36 caças Gripen à Ucrânia

A Suécia vai fornecer 36 caças Gripen para reforçar as defesas da Ucrânia contra a Rússia. Desse total, 20 são modelos novos, iguais aos operados pelo Brasil, e serão comprados por Kiev com dinheiro europeu. Os outros 16 são aeronaves usadas de uma geração anterior, que serão doadas.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira (28) durante uma visita do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, a Uppsala. Na ocasião, ele assinou um acordo de defesa com o país nórdico. Este é o primeiro passo para a construção de uma frota de até 150 jatos suecos por Kiev.

Segundo o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, o acordo prevê o fornecimento dos 20 Gripen E, de nova geração, pelo equivalente a R$ 14,7 bilhões. O valor será financiado por um empréstimo da União Europeia (UE). A entrega desses aviões está prevista para começar apenas em 2030.

Antes disso, a Suécia deve entregar os 16 modelos C/D antigos de suas forças aéreas já na virada para 2027. No ano passado, Zelenski havia assinado um memorando de entendimento com os suecos para a compra de 150 caças, o que gerou dúvidas sobre o financiamento e os prazos.

A saída de Viktor Orbán do poder na Hungria retirou o veto do país a um empréstimo de R$ 530 bilhões para os ucranianos, que foi ratificado nesta quinta pelo Parlamento em Kiev. Essa decisão abriu caminho para compras militares futuras, em um momento em que os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, cortaram a ajuda financeira direta a Kiev.

A entrega de aviões é um processo complexo, que envolve o treinamento de pilotos e operadores em solo. Atualmente, a Força Aérea da Ucrânia opera uma mistura de modelos. Antes da guerra, em 2022, Kiev tinha 124 aparelhos soviéticos, como MiG-29 e Su-27. Com as perdas em combate, recebeu MiG-29 da Polônia e da Eslováquia e F-16 antigos de aliados europeus.

A França também doou 6 Mirage-2000. O site de monitoramento Oryx aponta 114 aeronaves perdidas por Kiev na guerra. A doação dos Gripen começou a ser negociada em 2023, mas a Suécia desistiu no ano seguinte, com medo de enfraquecer sua própria frota e por entender que era melhor os ucranianos focarem no F-16.

Com a promessa de dinheiro europeu, a doação dos Gripen antigos voltou à mesa. Para o Brasil, que já recebeu 11 dos 36 Gripen E/F encomendados em 2014, a transação pode ter impacto. A Força Aérea Brasileira (FAB) buscava adquirir até 12 modelos C/D do Gripen para substituir o avião de ataque AMX. Com a doação à Ucrânia, isso parece improvável sem prejuízo à defesa aérea sueca.

Navegue por todo o conteúdo