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Spacex sobe 37% e impulsiona expectativa para IPOs

A estreia da SpaceX na Nasdaq movimentou US$ 85,7 bilhões após o exercício do lote suplementar, consolidando a companhia de Elon Musk como o maior IPO global já registrado. A empresa ultrapassou rapidamente a marca de US$ 2 trilhões em valor de mercado nas primeiras sessões, o que injetou forte otimismo em Wall Street. Para alguns analistas, ainda é cedo para considerar que essa alta redefine o mercado e dá segurança para outros IPOs de companhias de tecnologia.

As ações da SpaceX fecharam em alta na primeira semana de negociação, embora a trajetória tenha sido turbulenta. Os papéis caíram 3,6% na quinta-feira, acumulando uma queda de 8,3% em dois dias. Mesmo assim, a empresa encerrou a semana com uma valorização de 37% em relação ao preço recorde de US$ 135 da oferta pública inicial. A capitalização de mercado total era de US$ 2,4 trilhões, tornando-a a sexta maior empresa do mundo. O movimento ocorre em meio a expectativas sobre a trajetória das taxas de juros nos Estados Unidos e a capacidade dos investidores de absorver ofertas de grande porte.

O sucesso inicial do IPO da SpaceX ainda não é suficiente para indicar que outras aberturas de capital terão desempenho semelhante. A avaliação é de Nickolas Lobo, analista de investimentos da Nomad, que vê o caso como excepcional, sustentado por fatores específicos. Segundo Lobo, o desempenho não representa uma superação da aversão global a juros mais altos, mas uma adaptação seletiva do capital. Os investidores continuam cautelosos, direcionando recursos apenas para ativos com forte potencial de retorno no longo prazo.

No caso da SpaceX, Lobo destaca elementos que justificam o prêmio elevado pago pelos investidores. Entre eles, está o potencial de crescimento de receita, impulsionado pela ampliação de escala e pela diversificação de linhas de negócio. Além disso, a empresa opera em um setor onde poucas companhias possuem capacidade tecnológica para competir em lançamentos espaciais em larga escala, o que confere uma vantagem competitiva significativa.

Outro fator relevante é o chamado “prêmio Elon Musk”. Para muitos investidores, a associação com o empresário funciona como um diferencial positivo, dado seu histórico de inovação e capacidade de execução. “Já vemos ETFs e outras coisas surgindo, tentando capturar de alguma forma o legado da SpaceX”, disse Ann Miletti, chefe de investimentos em ações da Allspring Global Investments. Lobo também chama atenção para o “prêmio de escassez”. Apenas cerca de 4% das ações estão disponíveis para negociação no mercado, enquanto investidores que participaram de rodadas pré-IPO seguem sujeitos a períodos de lock-up.

Apesar do forte desempenho inicial, o analista ressalta que será necessário observar a sustentação das cotações ao longo dos próximos 180 dias. Esse período será importante para determinar se o valuation elevado decorre da escassez de papéis ou se os fundamentos da empresa justificam os níveis atuais. A operação deixa um recado claro ao mercado: existe liquidez disponível e apetite reprimido para novas ofertas públicas, mas o capital é mais seletivo do que no pós-pandemia.

O impacto do IPO também começa a ser percebido fora do mercado listado. Segundo Lobo, rodadas privadas de captação já passam a refletir esse novo nível de atratividade. A SpaceX passa a funcionar como um termômetro para investimentos em projetos de longo prazo. O mercado sinaliza que está disposto a pagar múltiplos mais elevados por empresas associadas à fronteira tecnológica. Em relação aos fluxos globais de capital, Lobo pondera que o efeito sobre países emergentes, como o Brasil, é incerto, dependendo de decisões mais amplas dos investidores.

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