Smartphones ligados à queda na natalidade
Um novo estudo sugere que os smartphones podem ser um dos responsáveis pela queda nas taxas de natalidade nos Estados Unidos. A economista Caitlin Myers, do Middlebury College, em Vermont, afirma que a disseminação dos aparelhos ajuda a explicar parte do declínio observado desde 2007.
As taxas de natalidade nos EUA caíram 22% desde aquele ano. Inicialmente, economistas atribuíram a queda à Grande Recessão, esperando uma recuperação como ocorreu em crises anteriores. No entanto, mesmo com a recuperação econômica, as taxas continuaram caindo.
Myers e outros pesquisadores passaram a buscar uma explicação para o fenômeno. A coincidência com o lançamento do primeiro iPhone, em 2007, chamou a atenção. Em um artigo intitulado “O iPhone é um anticoncepcional?”, Myers argumenta que os smartphones podem explicar entre um terço e metade da queda nas taxas de natalidade no período.
Para testar a teoria, a economista usou um fato histórico: os primeiros iPhones funcionavam apenas com a operadora AT&T. Em áreas onde a cobertura da AT&T era ampla, as taxas de natalidade caíram mais. Em locais com cobertura limitada, como Vermont, a queda foi menor. Esse padrão se manteve mesmo quando Myers controlou variáveis como densidade populacional e condições econômicas locais.
Mudanças de comportamento
A psicóloga Jean Twenge, da Universidade Estadual de San Diego, diz que o smartphone mudou a forma como os adolescentes passam o tempo. “Eles passam muito mais tempo online e em seus telefones e muito menos tempo saindo com amigos pessoalmente”, afirma.
Myers acredita que essa mudança tem consequências diretas. “Se há uma coisa que aprendi na educação sexual nos anos 1990, é que você provavelmente não vai engravidar se não estiver interagindo com pessoas pessoalmente”, diz.
O artigo, coautorado pelo enteado de Myers, Ezekiel Hooper, de 24 anos, também sugere que os smartphones facilitaram o acesso a informações sobre contraceptivos e aborto. Outro fator apontado é o aumento do consumo de pornografia, que pode estar substituindo relacionamentos presenciais.
Sem resposta da Apple
A Apple não respondeu a um pedido de comentário sobre o estudo. Myers diz que, com os smartphones hoje onipresentes, a pergunta que fica é se as taxas de natalidade vão se estabilizar ou continuar caindo. “É possível que continuemos a ver efeitos dos telefones no comportamento e em resultados como a fertilidade por anos”, conclui.