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Saúde amplia teleatendimento para apostadores

O Ministério da Saúde anunciou que o SUS (Sistema Único de Saúde) passa a oferecer, a partir desta terça-feira (4), até 100 mil teleatendimentos mensais em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas. O serviço inclui atendimento remoto, sigiloso e acolhedor, com orientação e acompanhamento profissional, além de suporte a familiares, afirma a pasta.

O teleatendimento a apostadores começou em março, com oferta inicial de 600 atendimentos mensais, por meio do Proadi-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS), em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. A capacidade foi ampliada diante da alta procura, diz o ministério.

Conforme dados da pasta, mais de 1 milhão de pessoas já solicitaram a autoexclusão do CPF de plataformas de apostas por meio da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, ferramenta do Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas, parceria entre os ministérios da Saúde e da Fazenda. Entre os motivos informados, 35% dos usuários citaram a perda de controle sobre o jogo.

Outros motivos apontados foram a decisão voluntária de parar de apostar (15,26%), dificuldades financeiras (11,82%) e recomendação de profissional de saúde (1,32%). Somente durante a Copa do Mundo, entre 11 de junho e 19 de julho, 387.645 pessoas pediram o bloqueio do CPF, o correspondente a 38% de todas as autoexclusões já registradas na plataforma.

O acesso é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital, que direciona o usuário à plataforma da AgSUS, parceira da iniciativa. A equipe é formada por psicólogos, enfermeiros e outros profissionais capacitados para escuta qualificada. Para acessar o teleatendimento, o usuário entra no aplicativo com a conta gov.br, seleciona “Miniapps” e depois “Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Quem Aposta”. Após um autoteste, é direcionado à AgSUS, aceita o termo de uso e preenche um formulário sobre sua situação.

As consultas psicológicas duram cerca de 50 minutos e ocorrem, preferencialmente, uma vez por semana, por videochamada. O psicólogo pode indicar um ciclo inicial de até dez sessões, seguido de nova avaliação, que define alta, novo ciclo de teleconsultas ou encaminhamento para atendimento presencial. O serviço também funciona como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps), que conta hoje com 3.120 Caps em funcionamento no país, segundo o ministério.

Entre os sinais que podem indicar uma relação problemática com jogos e apostas estão alterações no sono, na alimentação ou no humor, ansiedade e irritabilidade quando a pessoa não está jogando, dificuldade para reduzir ou interromper as apostas e sentimentos de culpa ou vergonha. Também merecem atenção comportamentos como esconder ou mentir sobre as apostas, comprometer o orçamento ou as relações pessoais e profissionais, e recorrer aos jogos como forma de lidar com estresse, ansiedade ou frustração, segundo o ministério.

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