Insights

Santander: lucro cai a R$ 3 bi com inadimplência

O Santander Brasil registrou lucro líquido gerencial de R$ 3 bilhões no segundo trimestre de 2026. O resultado representa queda de 17,6% em relação ao mesmo período de 2025 e de 20,4% na comparação com os três primeiros meses deste ano. O valor ficou abaixo do esperado pelo mercado, que previa ganho de R$ 3,723 bilhões, segundo analistas consultados pela Bloomberg.

O mercado reagiu negativamente ao anúncio. Por volta das 10h40, as ações do Santander na Bolsa brasileira recuavam 6%, cotadas a R$ 25,99.

Este é o primeiro balanço divulgado sob a gestão do novo presidente do banco, Gilson Finkelsztain, que assumiu o cargo em 1º de julho. O executivo, que antes comandava a B3, substituiu Mario Leão com a missão de recuperar a rentabilidade da instituição. Por não ter participado das operações no segundo trimestre, Finkelsztain não participou da conferência com analistas de mercado.

A inadimplência do banco aumentou em todos os segmentos na comparação anual. O índice total de atrasos acima de 90 dias foi para 3,3%, ante 2,6% um ano antes. Em três meses, o indicador ficou estável. Entre pessoas físicas, a taxa subiu de 4% para 5,1%. Em pessoas jurídicas, foi de 1,2% para 1,6%. No segmento de pequenas e médias empresas, o índice passou de 4,1% para 5,3%. No atacado, que reúne grandes empresas, o indicador foi de 0,1% para 0,2%.

O banco afirmou que o resultado é influenciado pelos segmentos de baixa renda e agronegócio, em um cenário econômico ainda desafiador e com elevado nível de endividamento. A provisão contra devedores duvidosos (PDD), que funciona como proteção contra calotes, aumentou 11,5% no ano, para R$ 7,654 bilhões.

O diretor de relações com investidores do banco, Carlos Ignacio Muñiz Gonzalez Blanch, afirmou que uma melhora no resultado deve ocorrer apenas em 2027, devido ao atual cenário de juros altos. Ele também disse que o novo programa Desenrola teve pouco impacto nas recuperações de crédito, com baixa adesão dos clientes inadimplentes.

A carteira de crédito total do banco encerrou junho em R$ 714,77 bilhões, com alta de 5,8% no ano e de 1,3% no trimestre. A margem financeira somou R$ 15,34 bilhões no segundo trimestre, queda de 3% em três meses e de 0,4% no ano. Segundo o banco, o recuo se deve a um menor spread, já que a instituição emprestou menos a clientes mais arriscados.

A rentabilidade do Santander, medida pelo ROAE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio), ficou em 12,5%. O índice representa queda de 3,4 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre de 2026 e de 3,8 pontos percentuais na comparação anual.

Navegue por todo o conteúdo