Novo Miami Vice terá algo a dizer?
Em 2006, o diretor Michael Mann lançou sua versão cinematográfica de “Miami Vice”, estrelada por Colin Farrell e Jamie Foxx. O filme, ambientado em um mundo pós-11 de setembro, mostrava um crime globalizado, com ações no exterior e criminosos transnacionais. Apesar do orçamento de US$ 150 milhões, a produção foi recebida com risadas pelo público na época e não teve o desempenho esperado nas bilheterias.
A série original “Miami Vice” foi ao ar nos anos 1980, com Don Johnson e Philip Michael Thomas como os detetives Sonny Crockett e Rico Tubbs. O programa, comandado inicialmente por Michael Mann, ajudou a definir Miami como um local perigoso e sensual, sinônimo de uma década de excessos. Apesar da estética de ombreiras e cabelos grandes, a série também trazia uma visão realista do crime, com a tensão tática que Mann usaria mais tarde em filmes como “Fogo Contra Fogo”.
Vinte anos depois do filme de 2006, um novo remake de “Miami Vice” está sendo planejado. Desta vez, a direção será de Joseph Kosinski, conhecido por “Top Gun: Maverick”. Austin Butler deve interpretar Crockett, e Michael B. Jordan deve viver Tubbs, com Tom Cruise cotado para o papel de vilão. Kosinski já afirmou que a história se passará em 1985.
A pergunta que fica é o motivo de mais um remake, especialmente sem a participação de Mann. A resposta mais simples é que a indústria do entretenimento vive um ciclo de refilmagens. Estúdios buscam propriedades conhecidas para atrair o público das gerações Baby Boomer e Millennial sem entediar a Geração Z. Exemplos disso são as novas versões de “Cabo do Medo” e “O Homem do Fogo”, que virarão séries.
O novo “Miami Vice” corre o risco de ser apenas uma repetição de sucessos passados, sem capturar um momento cultural ou geopolítico como fizeram as versões anteriores. A série original refletiu as guerras de Ronald Reagan contra as drogas e o comunismo. O filme de 2006, por sua vez, mostrou a sensação de que essas guerras estavam perdidas e que restava lidar com os destroços.