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Meta cancela acordo de US$ 2 bi com Manus

A Meta Platforms começou a desfazer a aquisição de US$ 2 bilhões da startup Manus, segundo a agência Bloomberg. A medida atende a uma ordem inédita do governo da China para que o negócio seja desfeito.

A separação operacional já começou. A Meta ordenou que seus funcionários parem de usar ferramentas da Manus em projetos internos. A partir deste mês, a empresa também bloqueou o acesso de funcionários da Manus, que tem sede em Cingapura, aos sistemas internos de dados da dona do Facebook, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela Bloomberg.

O movimento ocorre enquanto a Manus e a Meta tentam cumprir a exigência de Pequim para desmontar um negócio que se tornou um teste para os limites da China na proteção de sua tecnologia e talentos estratégicos.

Em abril, reguladores chineses ordenaram a reversão do acordo, uma ação inédita no âmbito do mecanismo de revisão de segurança para investimento estrangeiro do país. O processo de desfazer um negócio já concluído é complexo, segundo o escritório de advocacia Zhonglun.

Pequim endureceu os controles de exportação de tecnologia para manter um controle mais rígido sobre transações internacionais, especialmente aquelas que envolvem ativos em setores estratégicos. Isso ocorre em meio ao acirramento da disputa tecnológica entre EUA e China, que agora envolve talentos, hardware e dados.

Para empresas de tecnologia americanas interessadas em ativos chineses, a inteligência artificial de origem chinesa carrega um risco de reversibilidade que nenhuma estrutura de negócio consegue eliminar, disse Matthias Hendrichs, consultor de Cingapura que assessora empresas globais de IA.

Para a Manus, o problema central da objeção de Pequim pode não ter solução, acrescentou Hendrichs. “Uma vez que os engenheiros de outra empresa estiveram dentro do seu sistema, você pode deletar o repositório, mas não pode fazer com que eles não vejam o que viram.”

A Manus, que era celebrada como um avanço de startups chinesas de IA competindo com rivais americanas, tornou-se um alerta para empreendedores que tentam se desvincular da imagem chinesa ao se mudar para países como Cingapura.

“A desmontagem pode ser confusa”, disse Han Shen Lin, diretor-gerente da The Asia Group na China. Pequim enviou um recado ao seu setor de tecnologia de que a chamada “lavagem de Cingapura” tem limites, e uma lição para Washington de que examinar as estruturas de propriedade pode ser tão eficaz quanto qualquer proibição.

A Manus, com raízes na China, transferiu sua sede e equipes principais para Cingapura no ano passado. Em dezembro, a Meta anunciou a aquisição da startup de IA agêntica por US$ 2 bilhões, o que desencadeou uma investigação de meses sobre controles de exportação de tecnologia.

No início deste mês, Pequim emitiu novas regras abrangentes que apertam o controle sobre negócios no exterior envolvendo investidores, tecnologia e dados chineses, com base em segurança nacional. As regras ampliam o alcance de Pequim para negócios em mercados fora da China continental, incluindo Taiwan, e dão ao governo o poder de punir empresas estrangeiras cujos países de origem restrinjam investimentos chineses.

As novas diretrizes de investimento no exterior miram negócios como o da Manus, um movimento de alto nível que sugeria que uma importante empresa chinesa de IA estava se afastando do mercado doméstico, um exemplo que Pequim não queria que outros seguissem, disse Tilly Zhang, analista de políticas industriais da Gavekal Dragonomics.

O novo arcabouço legal de Pequim dá ao estado “um controle retroativo e prospectivo” sobre o capital que sai do país, disse Han. “Se dinheiro chinês tocou um negócio… Pequim pode agora afirmar jurisdição sobre a saída, a reestruturação ou o reinvestimento.”

As regras, que entram em vigor em 1º de julho, fornecem pela primeira vez uma base legal abrangente e formalizada para a China forçar a desmontagem de transações internacionais já concluídas. As novas regras proíbem especificamente a transferência internacional de talentos em setores sensíveis sem aprovação.

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