Kevin Christian: Junior Tafa sob pressão no UFC Perth
O australiano Junior Tafa entra no octógono neste sábado no UFC Perth pressionado por uma sequência de duas derrotas consecutivas. Com cartel de 2 a 5 no Ultimate, Tafa enfrenta o brasileiro Kevin Christian, que promete tornar a vida do adversário ainda mais difícil.
Christian, que venceu por finalização no Contender Series em 2024 e perdeu na estreia no UFC 14 meses depois, fez mudanças na carreira. Ele viajou 2.500 milhas para deixar Rio Preto da Eva, no Amazonas, e se juntar ao CM System em Curitiba. Agora, se sente mais adaptado ao nível do UFC.
Mesmo com cartel de 0 a 1 no UFC e 9 a 3 como profissional, Christian acredita que o peso da luta está todo nos ombros de Tafa.
“Ele está sob o dobro da pressão”, disse Christian ao MMA Fighting. “Vem de duas derrotas consecutivas desde que desceu de categoria. Vai lutar em casa, o que aumenta ainda mais a pressão, especialmente por causa das implicações contratuais. Ele carrega um fardo enorme. Eu perdi minha primeira luta, mas já evoluí e estou confiante que vou vencer.”
Tafa só foi até o fim do combate uma vez em 11 lutas profissionais. Christian acredita que quanto mais longa a luta, melhor para ele. As derrotas de Tafa nos meio-pesados foram por finalização contra Tuco Tokkos e Billy Elekana. Nos pesados, ele venceu Parker Porter e Sean Sharaf por nocaute, mas perdeu para Valter Walker, Marcos Rogério de Lima e Mohammed Usman.
“Junior Tafa é um cara explosivo, com mãos pesadas e bom gerenciamento de distância, mas ele tende a cansar mais rápido”, disse Christian. “Ele explode no começo dos rounds, mas não mantém a consistência. Foco muito no trabalho isométrico e no chão, mas também tenho ferramentas para trocar em pé e no solo. É um confronto muito favorável para mim.”
Trajetória de superação
Christian completou 31 anos em janeiro e acredita que está realizando o potencial máximo sob o comando de Cristiano Marcello no Sul do Brasil. Ele agora é lutador em tempo integral, depois de passar a maior parte da carreira dividindo treinos com a faculdade de engenharia.
“Tive que equilibrar as duas coisas”, explicou. “Houve um período em que precisei parar de lutar e focar mais nos estudos. Depois veio a pandemia e fiquei inativo um tempo. Voltei já formado, deixei a engenharia de lado e fui para a guerra.”
Para Christian, “a engenharia era o Plano A” porque “o esporte não é levado a sério” na região amazônica, e seria quase impossível chegar ao UFC.
“Eu tinha o sonho, mas não a crença total de que aconteceria, então precisei estudar. Mas deu certo no final.”
“E agora posso dizer que estou pronto”, completou. “Estou bem preparado, fisicamente forte e mentalmente calmo. Vou lutar na cidade dele, mas isso não me incomoda. O que importa é estar bem comigo mesmo. Estreei no APEX, um card menor, mas não existe isso no UFC. Será uma experiência diferente com o público agora.”