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IA chinesa barata e inteligente avança nos EUA

Modelos de inteligência artificial chineses estão ganhando popularidade nos Estados Unidos por serem mais baratos e eficientes. O americano Raffi Krikorian, diretor de tecnologia da Mozilla, empresa que mantém o navegador Firefox, passou a usar o Kimi K3, da startup chinesa Moonshot, para muitas de suas atividades diárias logo após o lançamento do modelo, há mais de uma semana.

Krikorian disse que o K3 é “mais rápido” em comparação ao Claude Fable, chatbot da empresa americana Anthropic, que é mais caro. Antes, ele já usava outro modelo chinês de alto desempenho, o GLM-5.2, da Z.ai, para tarefas como gerenciar agenda, documentos e e-mails.

Krikorian é um dos americanos que estão adotando sistemas de IA chineses. Eles ganham espaço no mundo por serem mais acessíveis e cada vez mais eficientes. Empresas americanas, como a exchange de criptomoedas Coinbase, disseram que estão migrando para modelos chineses para reduzir custos.

O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, acusou a Moonshot de usar métodos “encobertos” para construir o K3 a partir do Fable, da Anthropic. Políticos americanos e empresas de IA, incluindo a Anthropic, acusam startups chinesas de “destilação” ilegal de seus modelos para extrair tecnologias. Pequim rejeita a acusação como “infundada”.

A rápida ascensão de modelos chineses de IA neste ano mostra que a corrida entre China e EUA avançou desde o ano passado, quando a startup DeepSeek agitou a indústria americana com um modelo tão inteligente quanto os dos EUA, mas muito mais barato.

Os modelos mais recentes lançados pela Z.ai em junho e pela Moonshot em julho são quase tão inteligentes quanto os líderes da OpenAI e da Anthropic, segundo especialistas. Em julho, a Alibaba, da China, também apresentou seu modelo Qwen3.8 Max. Em abril, a DeepSeek lançou prévias do seu V4, desafiando o GPT da OpenAI e o Gemini do Google.

Curt Meinhold, executivo de tecnologia da Carolina do Norte, disse que prefere usar a DeepSeek para tarefas como encontrar leads de negócios. “No fim do dia, a maioria de nós, 90% ou mais, não precisa do Mythos ou do Fable”, afirmou Meinhold, fundador da plataforma LilyList. “Precisamos de algo bom o suficiente.”

Dados do último mês mostram que os cinco modelos mais populares no OpenRouter, plataforma que monitora modelos de IA, eram chineses. Estimativas da Sensor Tower indicam que o Kimi teve mais de 930 mil downloads na semana após o lançamento do K3 em julho, um aumento de 200% em relação à semana anterior. Nos EUA, foram cerca de 86 mil downloads, um salto de 387%.

O K3 foi tão popular que a Moonshot teve que suspender novas assinaturas temporariamente, pois a demanda levou sua capacidade ao limite. Apesar disso, os modelos chineses ainda ficam atrás dos líderes americanos em capacidades gerais, segundo Anastasios Angelopoulos, CEO da Arena, plataforma de avaliação de IA.

A maioria dos modelos chineses é de código aberto, permitindo que qualquer pessoa os examine e desenvolva a partir deles. Já modelos de empresas americanas como Anthropic e OpenAI são fechados. “A fronteira aberta está se tornando cada vez mais construída pela China”, disse Krikorian, da Mozilla.

Na China, pessoas e empresas adotaram rapidamente as tecnologias de IA, que prosperam com apoio estatal. Empresas como Huawei e Tencent também estão incorporando IA em dispositivos como smartphones, óculos inteligentes e robôs humanoides. Agora, a China busca dominar a IA também no exterior.

Especialistas afirmam que tanto a China quanto os EUA vão querer incentivar a adoção de seus ecossistemas de IA, enquanto protegem tecnologias que possam fortalecer rivais estratégicos. “A competição não é mais apenas entre Estados Unidos e China; os laboratórios chineses também estão pressionando uns aos outros”, disse Angelopoulos.

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