Hantavírus: Raiva e medo em ilha espanhola
Manifestantes em Tenerife protestam contra a chegada do navio MV Hondius, que registrou um surto de hantavírus. O governo espanhol autorizou o desembarque dos passageiros no porto de Granadilla neste fim de semana, após acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A embarcação viaja de Cabo Verde, onde três pessoas foram evacuadas.
A OMS confirmou cinco casos de infecção, incluindo três mortes, causadas pelo surto ocorrido no navio holandês. Na sexta-feira (08/05), trabalhadores portuários de Tenerife se reuniram em frente ao parlamento das Ilhas Canárias, em Santa Cruz, para expressar preocupação com o risco à saúde que a chegada pode representar. Durante o protesto, os moradores usaram apitos, tocaram vuvuzelas e exibiram faixas.
“Estamos descontentes com a ideia de podermos trabalhar em um porto sem medidas especiais de segurança ou informações quando um barco infectado se aproxima”, disse Joana Batista, de um sindicato local de trabalhadores portuários. Colegas ameaçaram bloquear a chegada do navio caso as reivindicações não sejam atendidas. “Se o barco vai parar aqui, que pare, mas com as medidas necessárias em vigor”, afirmou.
A nutricionista María de la Luz Sedeño observava o protesto e mal continha a fúria. “Esta é a gota d’água em tudo o que o povo das Ilhas Canárias tem que suportar”, disse, em referência à chegada de milhares de migrantes indocumentados em barcos vindos da África. Mais de 3.000 pessoas morreram em 2025 tentando chegar às Ilhas Canárias, segundo a ONG Caminando Fronteras.
O governo central espanhol informou que o navio não atracará diretamente em Tenerife, mas ancorará em alto mar. Os passageiros serão transportados para o porto industrial de Granadilla, longe de áreas residenciais. Após a chegada, serão repatriados ou levados para Madri para quarentena, no caso dos 14 espanhóis a bordo. As autoridades afirmam que não haverá contato entre passageiros e moradores locais.
A aposentada Marialaina Retina Fernández disse estar mais calma com as informações divulgadas. “Não é o ideal que todos acabem vindo para cá. Mas se as autoridades dizem que farão todo o possível para garantir que ninguém seja infectado, vamos torcer para que seja assim”, afirmou. Para ela, as ilhas estão acostumadas a lidar com crises internacionais.