Fórum dos Leitores: Vozes em SP
O Fórum dos Leitores do jornal O Estado de S. Paulo, edição de 16 de junho de 2026, publicou uma série de cartas de leitores abordando temas como educação, política e justiça.
Educação
Em relação às reportagens especiais sobre os caminhos da educação brasileira, um leitor aponta que o País já sabe o que precisa ser feito, mas o problema é transformar esse conhecimento em prioridade permanente de Estado. Há consenso sobre pontos centrais como alfabetizar todas as crianças na idade certa, recompor a aprendizagem dos alunos que ficaram para trás, melhorar a formação dos professores, fortalecer as avaliações, ampliar a escola em tempo integral e preparar melhor os jovens para o mercado de trabalho. O que causa indignação é perceber que, mesmo sabendo o caminho, o Brasil ainda convive com crianças e jovens que passam anos dentro da escola sem aprender o necessário. Não há desenvolvimento econômico, inovação ou produtividade quando o aluno não domina leitura, escrita e matemática básica. Antes de falar em tecnologia, inteligência artificial ou ensino técnico, é preciso garantir que o aluno compreenda o que lê, escreva com clareza, raciocine e resolva problemas. A escola pública brasileira não pode ser apenas um local de permanência, mas um espaço real de aprendizagem. O Brasil tem políticas públicas importantes, como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), e seria um erro descontinuar o que funciona a cada troca de governo. Educação exige continuidade, planejamento e vontade política.
Outro leitor, Pedro Paulo A. Funari, professor titular do Departamento de História da Unicamp, afirma que a desvalorização da profissão docente é o nó na educação. Para torná-la atraente, é necessária uma melhor remuneração, o que atrairia estudantes bem preparados do ensino médio. Bons professores, empenhados e valorizados, podem mudar a história de vida de crianças e jovens e contribuir para que o País supere seus desafios.
Política e Justiça
Um leitor comenta que a Corte de Cassação italiana deu uma “bela chacoalhada” no Supremo Tribunal Federal (STF) ao se manifestar sobre o caso de Carla Zambelli. O texto afirma que a decisão é um alerta para o STF, visto com desconfiança pela opinião pública brasileira. O leitor cita os casos do Resort Tayayá e do Banco Master, que colocam no centro das atenções os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além do inquérito das fake news e do “Gilmarpalooza” em Portugal. A sugestão é que os ministros do Supremo “desçam do pedestal” e encontrem uma maneira de corrigir os erros cometidos. O leitor também defende que o presidente da República indique um jurista de alta qualidade para a vaga aberta por Luís Roberto Barroso.
Outro leitor aponta que a sorte de Carla Zambelli é ter cidadania italiana, o que permitiu recorrer ao Judiciário daquele país para demonstrar fragilidades do processo no Brasil, algo que outros brasileiros não teriam.
Sobre o caso do Banco Master, um leitor afirma que os indícios da participação de ao menos três senadores em negociatas com o banqueiro Daniel Vorcaro são repugnantes e merecem apuração imediata. O leitor também defende que, se as delações de Vorcaro forem rejeitadas, se reafirmará o princípio de que colaboração premiada não é salvo-conduto para preservar patrimônio. Um país com mais de 200 milhões de habitantes espera que a Constituição seja respeitada e que a Justiça seja aplicada com igualdade. O maior dano à imagem institucional do Brasil não é apenas a corrupção, mas a impressão de que alguns réus enfrentam todo o rigor da lei enquanto outros parecem blindados.
Economia e Sociedade
Um leitor comenta o artigo de Celso Ming, questionando se o Brasil é um país consciente. O texto afirma que, para discernir a realidade da ilusão, depende-se da consciência. Se o brasileiro assiste ao rombo bilionário das contas públicas sem saber se está acordado ou sonhando, é porque foi educado para ignorar o impacto social de cada decisão política. A conclusão é que o Brasil não é um país consciente, mas uma massa anestesiada em um transe coletivo.
Outro leitor, se identificando como eleitor de centro, afirma que não tem candidato para 2026 e que, assim como em 2018 e 2022, será obrigado a escolher o “menos ruim”. O texto lembra que, em 2018, a única opção para evitar a volta do PT era Jair Bolsonaro, e em 2022, a constatação de que Bolsonaro era um desastre levou à eleição de Lula.
Um leitor elogia o artigo de Pedro S. Malan em homenagem aos 95 anos de Fernando Henrique Cardoso, afirmando que o ex-presidente se propôs a enfrentar desafios e cumpriu, como acabar com a superinflação. O leitor afirma que FHC é um estadista e que sente saudades do tempo em que o Brasil tinha a perspectiva de ser um país gigante, dirigido por políticos dignos.