Fim da escala 6×1 vira apelo populista
As discussões para aprovar na Câmara dos Deputados o fim da escala de trabalho 6×1 estão sendo conduzidas da pior maneira possível, segundo análise do jornalista William Waack. O alerta é de que, independentemente dos méritos da proposta, a forma como está sendo feita pode gerar enorme confusão.
O sociólogo e professor José Pastore, especialista em relações de trabalho, aponta erros no projeto. O principal deles é tentar aplicar uma única regra constitucional para todas as atividades humanas. Pastore argumenta que a diversidade do mundo do trabalho é muito maior do que a de outros setores, como o tributário, onde tentativas semelhantes já geraram um emaranhado de regras.
No caso da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), centenas de novos artigos seriam somados aos 922 já existentes. O Brasil possui 2.422 ocupações diferentes, cada uma com suas peculiaridades. O governo contribuiu para empobrecer o debate ao acusar quem aponta esses problemas de ser inimigo da classe trabalhadora.
O apelo populista, especialmente em ano eleitoral, domina a classe política. Oligarquias regionais, como a que representa o presidente da Câmara, enxergam nessa questão um trunfo irresistível. Para Waack, reduzir a jornada por meio de regra constitucional cria mais problemas do que soluções, e vale o velho ditado de que políticos desprezam consequências de longo prazo em troca de vantagens imediatas.