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Fígado: alimentos que salvam e que prejudicam

Nem sempre problemas no fígado estão relacionados ao consumo de álcool. É possível desenvolver doença hepática grave sem beber uma gota. A doença antes chamada de esteatose hepática não alcoólica (NAFLD) foi rebatizada em 2023 para doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, nome que deixa claro o principal vilão da história: o metabolismo, moldado por aquilo que comemos.

Um estudo recém-publicado na revista científica Nutrition Reviews, conduzido por pesquisadores da Southeast University e da Universidade de Informação Científica e Tecnológica de Nanjing, na China, mediu em números quanto um padrão alimentar saudável pode blindar ou prejudicar o fígado.

Quais alimentos ajudam e quais atrapalham

Os pesquisadores não testaram um alimento isolado, e sim dois modelos de dieta usados pela ciência: o Índice Alternativo de Alimentação Saudável (de Harvard) e o Índice de Alimentação Saudável (do governo americano). Cada um dá pontos para quem come mais destes grupos: frutas e vegetais; grãos integrais, como aveia, arroz integral e pão integral; peixes e frutos do mar, ricos em ômega-3; leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico), nozes e castanhas; tofu, fonte de proteína vegetal; gorduras “boas”, como azeite e abacate; e proteínas magras em geral.

O consumo elevado de grãos refinados (pão branco, massas comuns e arroz branco), açúcar adicionado (doces, refrigerantes e ultraprocessados) e sódio em excesso (embutidos e industrializados) pesa contra a saúde do fígado.

O ponto central é que o estudo avaliou o padrão alimentar como um todo — a soma dessas escolhas ao longo do tempo —, não o efeito isolado de um alimento específico. Não é que peixe “cura” o fígado sozinho, mas dietas que somam mais itens da lista “positiva” e menos da “negativa” apareceram, no conjunto, associadas a menor risco de doença hepática.

Pessoas com pontuação mais alta nesses índices tiveram risco entre 20% e 38% menor de desenvolver alguma forma de doença hepática crônica, segundo o índice de Harvard. Pelo índice do governo americano, a redução de risco ficou entre 23% e 39%. Em ambos os casos, o benefício foi mais consistente contra a forma metabólica da doença hepática gordurosa e contra o câncer de fígado, com efeitos particularmente marcantes na Ásia e na América do Norte.

Vale frisar: essa é uma meta-análise de estudos observacionais, não um experimento controlado. Os resultados mostram associação, não prova direta de causa e efeito. Fatores como nível socioeconômico, atividade física e predisposição genética também podem influenciar tanto a dieta quanto a saúde do fígado.

O estudo reforça uma ideia simples: o fígado reage ao que chega no prato todos os dias, não só ao que sai da garrafa. Não se trata de um alimento milagroso, e sim do acúmulo — de frutas, grãos integrais e peixe no lugar de refinados, açúcar e sal em excesso. É uma conta que se paga (ou se evita) aos poucos, refeição após refeição.

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