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Estudo aponta viés da Grokipedia de Musk para direita

Um novo estudo concluiu que a Grokipedia, enciclopédia de inteligência artificial (IA) de Elon Musk, recorre mais a sites de direita em artigos sobre temas sensíveis, como religião, história, literatura e arte.

A pesquisa foi conduzida por investigadores do Trinity College Dublin e da Technological University Dublin. A equipe analisou perto de 18 mil das páginas em inglês mais editadas da Wikipédia e comparou com os verbetes correspondentes na Grokipedia, plataforma lançada por Musk em outubro do ano passado.

Segundo o estudo, os artigos da Grokipedia sobre religião, história, literatura e arte citavam mais meios alinhados com a direita do que os textos da Wikipédia sobre os mesmos temas. No conjunto, no entanto, ambas as plataformas apresentaram orientações políticas semelhantes.

A investigação concluiu ainda que dois terços dos artigos da Grokipedia analisados foram profundamente reescritos e se baseavam em menos fontes do que os equivalentes na Wikipédia.

O relatório surge após um estudo preliminar, divulgado em janeiro, que já havia identificado preocupações semelhantes. Na ocasião, muitos artigos revelavam uma inclinação à esquerda no geral, mas alguns textos sobre temas controversos podiam dar prioridade a conteúdos de direita.

Os autores do estudo afirmam que os sistemas de IA generativa podem remodelar o conhecimento público de formas menos visíveis do que os processos editoriais tradicionais. Saeedeh Mohammadi, autora principal, disse que, ao contrário da Wikipédia, onde os enviesamentos são visíveis e contestados pela edição humana, os sistemas de IA funcionam de forma opaca. “Isso significa que mudanças de perspetiva ou de fontes podem ocorrer sem uma responsabilização clara ou supervisão editorial”, afirmou.

Os pesquisadores alertam que a rápida expansão de sistemas de conhecimento gerados por IA levanta questões amplas de governação. Eles apontam riscos semelhantes aos observados em plataformas de redes sociais, onde a fraca supervisão editorial contribuiu para a disseminação de desinformação com consequências para eleições, saúde pública e estabilidade social.

Taha Yasseri, professor no Trinity College Dublin, destacou que o ecossistema informativo está mudando rapidamente. “Estamos a assistir a uma regeneração de informação em larga escala, em ‘caixa-negra’, por modelos de linguagem de grande dimensão que permanecem em grande parte fechados ao escrutínio público”, afirmou.

Em janeiro, a Comissão Europeia abriu uma investigação à xAI, empresa de Musk, ao abrigo da Lei dos Serviços Digitais (DSA). O objetivo é verificar se a plataforma dissemina conteúdos ilegais na União Europeia, como imagens sexualmente explícitas manipuladas.

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