Eduardo Bolsonaro em Las Vegas: guerra cultural e Lava-Jato
O filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), teve sua primeira exibição ao público na última segunda-feira em Las Vegas. A pré-estreia ocorreu durante o Fraud Fighter Summit, um encontro da direita americana. O evento foi realizado no hotel Aher e, segundo a organização, todos os 700 ingressos, vendidos a US$ 350, esgotaram.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) esteve presente na premiere. Após a exibição, ele participou de um painel mediado pelo influenciador Juan O’Savin, ao lado do diretor do filme, Cyrus Nowrasteh. Eduardo afirmou que a produção faz parte de uma “guerra cultural” contra adversários ideológicos.
— O que mais gosto é a guerra cultural. Por exemplo, esse filme aqui vai ser um pesadelo para a esquerda — disse Eduardo, comparando o longa ao filme “Exterminador do Futuro 2”. Ele também disse que o filme foi feito em inglês de propósito para evitar bloqueios no Brasil e ter alcance mundial.
Durante o painel, Eduardo Bolsonaro falou sobre a saúde do pai e comentou o envolvimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Operação Lava Jato. Ele evitou mencionar o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de financiamento da obra. Eduardo citou apenas uma ação na Justiça Eleitoral movida pelo PT contra o filme.
— O Partido dos Trabalhadores entrou com uma ação contra nós na Justiça Eleitoral tentando censurar este filme até a eleição — afirmou Eduardo.
O diretor Cyrus Nowrasteh disse que o filme foi gravado sem conhecimento do “establishment” e que os órgãos públicos só souberam da produção ao final, durante as gravações da facada sofrida por Bolsonaro em 2018. Ele afirmou que “todos os documentos estavam legais” e sugeriu que o filme pode ajudar a eleger Flávio Bolsonaro à Presidência.
— Esperamos que este filme seja visto no Brasil e receba o apoio dos brasileiros. Eles reconhecerão a sua própria história e levarão Flávio Bolsonaro ao poder como o próximo presidente do Brasil — disse Cyrus.
Condenação no STF
Nesta terça-feira, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Eduardo Bolsonaro a quatro anos de prisão por atuar nos EUA para coagir ministros da Corte através de sanções. O evento em Las Vegas ocorreu um dia antes da decisão, mas Eduardo comentou o tema, referindo-se aos magistrados como “covardes”. Ele confirmou ter trabalhado com o governo Trump para sancionar um ministro do STF.
— Disseram que eu estava trabalhando com o governo Trump para sancionar o ministro do Supremo Tribunal Federal que está mandando todas essas pessoas para a prisão. Isso é verdade — disse Eduardo.
Participações no evento
O primeiro dia do Fraud Fighter Summit não teve transmissão online, mas trechos foram compartilhados nas redes sociais. Um deles mostra o discurso da ex-funcionária eleitoral do Colorado Tina Peters, que antecedeu a exibição do filme. Peters foi condenada a nove anos de prisão por permitir acesso não autorizado a equipamentos de votação, com o objetivo de mostrar fraudes nas urnas em 2020. Ela foi solta no dia 1º de junho após o governador do Colorado reduzir sua pena sob pressão de Trump.
— Este filme é muito importante. Acompanhei Bolsonaro e o que aconteceu no Brasil. Isso pode acontecer em todos os países do mundo — disse Peters, sob aplausos.
O evento, que vai até quarta-feira, conta com a presença do ex-estrategista de Trump Stephen Bannon, da atriz Roseanne Barr e do ex-primeiro-ministro sul-coreano Hwang Kyo-ahn. Em novembro de 2025, Hwang foi detido por incitar uma insurreição ao apoiar a lei marcial decretada pelo ex-presidente Yoon Suk-yeol.