EA Games: fundo saudita assume dívida bilionária
A Electronic Arts (EA) concluiu sua venda por US$ 55 bilhões para um consórcio liderado pelo Fundo de Investimento Público (PIF) da Arábia Saudita. Com a transação, a empresa deixa de ter ações negociadas em bolsa após mais de três décadas e passa a ser uma companhia de capital fechado.
O negócio, considerado a maior aquisição alavancada da história, deixa a publisher de franquias como EA Sports FC, The Sims e Mass Effect com uma dívida bilionária. O grupo controlador é formado pelo PIF, que ficará com 93,4% da companhia, além da Silver Lake e da Affinity Partners.
Parte da compra foi financiada por um empréstimo de cerca de US$ 20 bilhões junto ao JPMorgan Chase. Estimativas indicam que a empresa poderá carregar aproximadamente US$ 18 bilhões em dívidas líquidas.
Segundo o jornalista Jason Schreier, do Bloomberg, a EA gera cerca de US$ 1,5 bilhão de EBITDA por ano, valor suficiente para cobrir os juros da dívida. Ele afirma que a publisher planeja reduzir despesas anuais em aproximadamente US$ 700 milhões, incluindo US$ 170 milhões em “eficiências organizacionais”, o que pode significar uma nova rodada de demissões em larga escala.
O cenário ganha força pelo histórico recente da empresa. Nos últimos anos, a EA realizou sucessivos cortes de pessoal, incluindo centenas de demissões em estúdios como Respawn Entertainment e dispensas em equipes responsáveis por Battlefield 6.
A compra amplia a presença do PIF no mercado de games. O fundo saudita já investiu em empresas como SNK, Scopely e ESL Gaming, e possui participação acionária em companhias como Take-Two. Para George Osborn, autor do livro Power Play: Video Games, Politics and the Battle for Global Influence, a aquisição vai além do potencial financeiro. Ele destaca que franquias consolidadas e jogos de serviço contínuo tornam a empresa um ativo estratégico de longo prazo.
“A aquisição da EA lhes proporciona um relacionamento com os 20 mil jogadores, 750 clubes e 35 ligas do topo do futebol profissional”, afirmou, destacando o alcance da franquia EA Sports FC.
A expansão do PIF segue sendo alvo de debates internacionais. O fundo integra a estratégia econômica da Arábia Saudita para diversificar investimentos, enquanto organizações de direitos humanos seguem criticando o país e levantando discussões sobre o uso de grandes investimentos em esportes e entretenimento para fortalecer sua imagem internacional.
Em comunicado oficial, a EA afirmou que a privatização permitirá acelerar investimentos e ampliar sua atuação global. A empresa não detalhou como pretende administrar o novo nível de endividamento. Schreier afirmou que “o impacto imediato muito maior virá do novo EA privado, que terá uma dívida de US$ 20 bilhões. Isso pode significar demissões em massa, monetização mais agressiva e outras grandes medidas de corte de custos”.
Por enquanto, a EA não anunciou novas demissões relacionadas diretamente à aquisição. O mercado acompanha os próximos passos da empresa para entender como a publisher equilibrará investimentos, operação e pagamento da dívida bilionária.