Dono da Voepass admite omissão de panes à PF
O presidente e proprietário da Voepass, José Luiz Felício Filho, afirmou à Polícia Federal que tinha conhecimento de uma prática na empresa de não registrar falhas técnicas. A declaração foi dada durante depoimento sobre a queda do voo 2283, em Vinhedo (SP), que matou 62 pessoas em 2024.
No depoimento, Felício Filho disse que diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) o alertaram pessoalmente, ao longo dos anos, sobre esse comportamento dos pilotos. Segundo o relatório da PF, os pilotos evitavam registrar problemas nos diários de bordo para não deixar as aeronaves em solo.
O relatório final da investigação aponta que a omissão de registros de manutenção foi um dos fatores centrais para o acidente. A PF entendeu que a companhia priorizava a disponibilidade da frota em vez da segurança, mesmo com problemas como falhas no sistema de degelo.
Por causa das evidências, a Polícia Federal indiciou Felício Filho e outras 15 pessoas pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo, com agravante pela morte de 62 pessoas. Entre os indiciados estão diretores de operações, manutenção e segurança, além de mecânicos e despachantes operacionais.
O crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo está previsto no artigo 261 do Código Penal. A pena varia de 2 a 5 anos de prisão. Se a aeronave cair ou for destruída, a pena passa para 4 a 12 anos. Em caso de morte, a punição pode ser aplicada em dobro.
A reportagem procurou a defesa de José Luiz Felício Filho e dos demais indiciados, mas não obteve resposta até a publicação desta notícia.