Dona de grupo de rope jump escondeu câmera após queda
A Polícia Civil de São Paulo afirmou que há indícios de que Evelyne dos Santos Gonçalves, dona do grupo de rope jump investigado pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21, teria pedido que os instrutores escondessem a câmera que estava com a jovem no momento em que ela foi lançada sem cordas.
Segundo o inquérito policial, ao qual o UOL teve acesso, a investigada manifestou preocupação com a localização da câmera utilizada pela vítima durante o salto. O documento indiciou Evelyne por homicídio qualificado e fraude processual. A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Evelyne, e o espaço segue aberto.
A câmera estava fixada ao braço da vítima para registrar a experiência do salto. De acordo com as investigações, o equipamento não foi localizado e é considerado importante para registrar a dinâmica dos fatos.
Testemunhas que estavam no local contaram à polícia que ouviram a ordem da organizadora do evento. Os relatos narram que ela teria solicitado a recuperação do equipamento e a exclusão de seu conteúdo. O documento afirma que essas circunstâncias, associadas ao desaparecimento da câmera e à desativação de um perfil vinculado à atividade em rede social, indicam possível atuação voltada à supressão ou ocultação de elementos probatórios.
Minutos após a queda de Maria Eduarda, Evelyne teria pedido a um dos instrutores para recuperar a câmera. Em depoimento, Luiz Gustavo Oliveira afirmou que ela demonstrou preocupação em pegar o equipamento. Segundo ele, houve menção expressa de que seria necessário apagar o vídeo registrado, o que foi por ele recusado naquele momento em razão da prioridade no atendimento à vítima.
Evelyne se apresentava como CEO do grupo “Entre Cordas”. Ela foi presa sete dias após a jovem ser arremessada no evento de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior paulista. A mulher integrava o núcleo organizacional responsável pela realização do evento, segundo a Polícia Civil. Em depoimento, a investigada alegou que não atuava na parte operacional e técnica dos saltos, limitando sua atuação a editar vídeos e postar nas redes sociais.
A polícia afirmou também que o evento era realizado em contexto de desorganização operacional. Segundo o inquérito, havia um número elevado de participantes, atraso no cronograma, ausência de protocolos formais de segurança, deficiência na definição de atribuições entre os integrantes da equipe e execução acelerada dos procedimentos. As circunstâncias, diz a polícia, contribuíram para a redução dos mecanismos de controle e fiscalização.
O indiciamento da dona do grupo acontece em uma segunda investigação para entender a dinâmica da morte. Outros dois homens presos pelo caso, João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins, não foram indiciados. Já os instrutores Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves, indiciados no primeiro inquérito, seguem presos. Agora, a polícia quer saber quem sumiu com a câmera utilizada pela vítima no momento da queda.
Maria Eduarda caiu de aproximadamente 40 metros de altura. O Corpo de Bombeiros foi acionado e constatou a morte no local, na trilha da Ponte do Esqueleto, segundo a SSP-SP. O caso foi registrado no 3º DP de Limeira como homicídio.
Quando os policiais militares chegaram, uma enfermeira tentava reanimar a vítima. Perto dela, estavam dois homens que se apresentaram como funcionários da empresa responsável por saltos no local, segundo o boletim de ocorrência. A dupla entregou os documentos pessoais, mas, segundo o boletim, acabou fugindo para uma área de vegetação no momento em que um policial se afastou para prestar apoio ao resgate.