Di Maria: o ensino de São João Paulo II
O pontificado de São João Paulo II foi marcado por um forte ensinamento sobre Maria como Corredentora. O Papa polonês não apenas reutilizou o título, que havia caído em desuso após o Concílio Vaticano II, mas também desenvolveu uma doutrina aprofundada sobre o tema.
Pela primeira vez em seu pontificado, João Paulo II usou o termo “Corredentora” em um discurso para os doentes, em 1982, durante a festa da Natividade de Maria. Para ele, o sentido da corredenção de Maria está ligado à fecundidade de todo sofrimento vivido com Cristo e por Ele.
Em uma homilia memorável no santuário de Guayaquil, no Equador, em 31 de janeiro de 1985, o Papa ensinou sobre o papel ativo e imediato de Maria na Redenção. Para ele, o “sim” de Nazaré encontra no Calvário um momento particularmente importante. Lá, “espiritualmente crucificada com o Filho”, ela se uniu ao sacrifício de Cristo que visava fundar a Igreja. Por ter sofrido pela Igreja, Maria mereceu se tornar a Mãe de todos os discípulos de seu Filho. A corredenção e a maternidade espiritual são, portanto, verdades intimamente ligadas.
João Paulo II também afirmou o princípio da associação de Maria à obra de reconciliação da humanidade. Segundo ele, a Virgem Imaculada foi associada de maneira única a esta obra, em um nível subordinado ao Filho, mas com uma cooperação real e exigente.
Na Solenidade de Corpus Christi de 1983, o Papa lembrou que, a cada celebração da Eucaristia, a associação de Maria ao sacrifício de Cristo se torna presente. Maria esteve ao lado do Crucificado, sofreu profundamente com seu Filho Unigênito e se associou com alma materna ao seu sacrifício, oferecendo-o e oferecendo-se ao Pai.
O Papa também respondeu a uma das principais objeções à verdade de Maria Corredentora: se ela é Corredentora, não teria precisado da Redenção de Cristo. Para João Paulo II, Maria é Corredentora precisamente por ser a primeira redenta, de um modo singular expresso no dogma da Imaculada Conceição. A preservação da culpa foi desejada para que ela pudesse cooperar plenamente na redenção de todos os homens.
Na encíclica Salvifici doloris, o Papa destacou a participação especial de Maria na morte redentora do Filho. A presença de Maria aos pés da cruz indica uma participação singular, que alcançou um vértice de sofrimento misterioso e sobrenaturalmente fecundo para a salvação universal. Maria é a primeira criatura a viver o “Evangelho do sofrimento” e a única a vivê-lo como Corredentora, por ser cheia de graça, Imaculada e Mãe de Deus. Ela abre o caminho para que cada homem redimido possa completar em si o que falta aos sofrimentos de Cristo.