Desenrola instável para endividados; governo debate FGTS
Clientes que tentam renegociar dívidas com bancos por meio do novo Desenrola Brasil reclamam de instabilidade em canais digitais, demora no atendimento e informações desencontradas de funcionários das instituições financeiras. A expectativa era que o programa ganhasse impulso nesta quinta-feira (7), no quarto dia de operação.
A Folha visitou cinco agências da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander nas regiões leste e central da capital paulista. Funcionários de todas as instituições afirmaram que o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quitar débitos ainda não está disponível.
Segundo o Ministério do Trabalho informou nesta quinta, a operacionalização que permitirá aos trabalhadores usar até 20% do FGTS para pagar dívidas ainda está sendo discutida e não será necessária reunião do Conselho Curador do FGTS. Atendentes também disseram que as opções de parcelamento seguem limitadas e que, na maioria dos casos, as dívidas precisam ser pagas à vista. A procura pelo Desenrola nas agências ainda é baixa.
O programa foi lançado pelo governo federal na segunda (4), mas os principais bancos só anunciaram adesão ao longo da semana: Caixa e Nubank na terça (5); Banco do Brasil, Bradesco e Itaú na quarta (6); e Santander e Inter na quinta (6). O início nos bancos demorou porque as instituições aguardavam liberações técnicas do Ministério da Fazenda e autorizações para as garantias do FGO (Fundo de Garantia de Operações). Elas ainda esperam regulamentações sobre o parcelamento das dívidas e o FGTS.
Consumidores relatam que ainda não é possível renegociar dívidas do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). Ao buscar a Caixa ou o Banco do Brasil, recebem a informação de que é preciso aguardar regulamentação do Comitê Gestor do Fundo de Financiamento Estudantil.
Na Caixa, uma funcionária afirmou que é possível quitar dívidas à vista, mas parcelamento e FGTS só seriam incluídos em uma segunda fase, sem prazo. A assessoria oficial informou que a Caixa está cadastrando clientes para parcelamento, mas opera apenas com pagamento à vista enquanto adequa sistemas internos.
Uma cliente do Banco do Brasil mostrou mensagem de erro repetida no WhatsApp da instituição. Ao tentar pelo aplicativo, não recebeu resposta após duas horas. A assessoria afirma que a renegociação está disponível nos canais digitais. Na terça, o banco recebeu mais de 40 mil pré-cadastros e fechou 1.807 acordos na quarta, somando cerca de R$ 3 milhões.
No Bradesco, não é possível fechar acordos na agência. A reportagem foi direcionada ao número do Renegocie Bradesco. A atendente afirmou que o FGTS não está disponível. O banco diz que as negociações estão disponíveis no portal e que as agências orientam clientes a acessar o site.
Funcionária do Itaú afirmou que parcelamento e uso do FGTS poderiam ser disponibilizados conforme perfil do cliente. A assessoria, porém, diz que o fundo ainda aguarda regulamentação e não pode ser usado. O Itaú informou que a renegociação está disponível em todos os seus canais.
O Santander anunciou adesão na tarde desta quinta. Até quarta, o banco ainda estudava a oferta. Na visita pela manhã, funcionários não tinham informações. O banco informou que clientes podem obter informações pelo aplicativo, internet banking, telefones e canais de autoatendimento.
Usuários do Nubank relataram ter recebido propostas de até 91% de desconto para pagamento à vista, mas outros que tentaram parcelamento afirmaram que o valor a pagar ficou maior. O Nubank diz que as ofertas são disponibilizadas gradualmente.
Clientes do Inter não encontravam opções do Desenrola no aplicativo e eram direcionados ao programa antigo de 2024. Na tarde desta quinta, o banco confirmou participação e orienta acessar a área de “Cartões” e clicar em “Negociar”, ou entrar no site negocie.bancointer.com.br.