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Delegados da PF reagem a exclusão por ideias

A Associação dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) enviou um ofício à Diretoria de Ensino da Academia Nacional de Polícia para cobrar explicações sobre a exclusão do delegado Diego Gallo de Souza Gay do corpo docente da instituição. A entidade afirma que a decisão foi tomada sob a justificativa de suposta “incompatibilidade de ideias”, após uma reunião com a cúpula da corporação.

Os delegados suspeitam que a medida tenha sido uma “decisão administrativa retaliatória”, motivada por manifestações institucionais ou associativas de Gallo. Ele atua na Polícia Federal há cerca de 17 anos e é conhecido pela defesa das prerrogativas da classe. O ofício, enviado nesta sexta-feira, 17, pede “esclarecimentos formais” sobre o motivo que o tirou da equipe responsável pela disciplina de Investigação Policial (IPO).

Segundo a ADPF, Gallo foi convidado pela coordenação da disciplina para ajudar a criar o conteúdo e, depois, para dar aulas nas turmas da Academia. Ele já havia ministrado aulas no curso anterior “sem intercorrências ou reclamações”. Em junho, ele recebeu a grade horária para o curso atual e a confirmação de que seu nome havia sido enviado à Direção da Escola para a emissão de documentos necessários para a missão.

A situação mudou após Gallo participar de uma reunião com a Direção da PF e da Diretoria de Ensino da Academia, no Rio Grande do Sul. O encontro tratou de interesses dos associados, e Gallo estava presente como diretor regional da ADPF. Depois disso, a coordenação da matéria informou que a direção da Academia negou seu nome para a missão, sob o fundamento de “incompatibilidade de ideias”.

No ofício, a associação destaca que Gallo participou das discussões “exclusivamente no exercício de suas atribuições como diretor regional”, representando posicionamentos debatidos no âmbito associativo, “de maneira equilibrada e com respeito aos presentes”. A ADPF considera que uma eventual retaliação baseada nessas manifestações levanta preocupações sobre o cumprimento dos princípios constitucionais de legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência.

Os delegados questionam a direção da Academia sobre quais seriam as “incompatibilidades de ideias” que motivaram a decisão, quem foram as autoridades responsáveis e se a Diretoria de Ensino aplica esses mesmos critérios a todos os professores. O Estadão pediu manifestação da PF, mas o espaço continua aberto para resposta.

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