Insights

Defesa de Bolsonaro desautoriza Flávio e divide aliados

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) adotou uma estratégia para responder ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que causou desconforto entre aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. Interlocutores avaliam que a versão apresentada ao STF acabou “desautorizando” o senador em um momento em que ele tenta consolidar sua liderança e unificar o bolsonarismo.

Na manifestação enviada ao STF nesta quarta-feira, os advogados de Bolsonaro afirmaram que o ex-presidente “jamais soube que a carta seria publicizada” e que não houve “orientação, ajuste ou combinação prévia” para a divulgação do documento nas redes sociais. A resposta foi dada após Moraes dar um prazo de 48 horas para esclarecer se Bolsonaro sabia que o texto seria lido pelo filho em uma transmissão ao vivo no último sábado.

Após receber a manifestação, Moraes encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR), que terá cinco dias para emitir um parecer. O ministro já havia suspendido por 90 dias o direito de visita de Flávio ao pai, por entender que o senador usou o encontro para obter um documento destinado à divulgação nas redes sociais.

Reservadamente, aliados de Flávio afirmam que a linha de defesa criou um problema político. Eles lembram que, desde a divulgação da carta, Flávio sustentava que a iniciativa partiu do próprio pai e chegou a agradecer por ser escolhido como seu “porta-voz” durante a transmissão. Para esse grupo, a versão apresentada ao STF transmite a impressão de que a decisão de tornar o documento público partiu exclusivamente do senador.

Na leitura de interlocutores do senador, Bolsonaro optou por afastar o risco de ser acusado de descumprir as restrições da prisão domiciliar, mesmo que isso contrariasse a narrativa da campanha. O episódio, segundo eles, dificulta o esforço de Flávio para reunir diferentes correntes do bolsonarismo, ponto tratado pela carta, que foi escrita para encerrar disputas internas e reforçar a autoridade política do filho.

Nos bastidores, há ceticismo sobre a eficácia da tese apresentada ao STF. A percepção é de que a justificativa dificilmente convencerá Moraes e que o desgaste político causado à campanha pode ter sido desnecessário. Aliados também afirmam que o episódio reacende a preocupação de que Flávio volte a ser apontado como pivô de problemas jurídicos envolvendo o pai.

Navegue por todo o conteúdo