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Corpus Christi Council Retoma Voto sobre Dessalinizadora

A proposta de construção de uma usina de dessalinização no Inner Harbor, em Corpus Christi, volta à pauta da Câmara Municipal no dia 2 de junho. O projeto, um dos mais polêmicos na cidade na última década, deve enfrentar uma votação dividida entre os vereadores, que já rejeitaram dar continuidade ao empreendimento anteriormente.

Um contrato de aproximadamente US$ 78,6 milhões para o desenvolvimento do projeto será analisado na mesma reunião em que a Câmara também deve decidir sobre medidas de racionamento, caso a região entre em emergência hídrica. A usina, agora estimada em US$ 979 milhões, não forneceria água de imediato. A previsão é que isso ocorra somente daqui a quase três anos, conforme uma minuta de apresentação sobre o contrato de mais de mil páginas com a Corpus Christi Desal Partners.

Defensores do projeto o veem como uma salvaguarda para proteger a economia e diversificar o fornecimento de água, que até recentemente dependia exclusivamente de águas superficiais, vulneráveis à seca e à evaporação. Críticos apontam uma série de preocupações, principalmente sobre os impactos na ecologia da baía e na comunidade.

No outono passado, a discussão sobre o tema terminou com uma votação de 6 a 3 para encerrar um contrato com uma empresa diferente. A instalação, prevista para um terreno de 5,6 hectares na Nueces Bay Boulevard e West Upper Broadway Street, teria capacidade para gerar até 30 milhões de galões de água tratada por dia.

O debate sobre os benefícios e malefícios da usina para a comunidade, envolvendo segurança econômica, meio ambiente, bairros vizinhos e contas de água, se arrasta há anos. Também há críticas de que a usina poderia incentivar a expansão industrial. Críticos afirmam que o projeto beneficiaria principalmente a indústria, que já tem descontos na compra de água. Outros defendem que o setor industrial, um dos maiores motores econômicos da região, está sendo injustamente criticado enquanto busca fontes alternativas de água, como efluentes tratados.

Vereadores já afirmaram ter sofrido pressão de lideranças estaduais e locais para aprovar ou rejeitar o projeto. A controvérsia ganhou destaque público em todo o estado, especialmente após comentários do governador Greg Abbott, que chamou os gestores municipais de indecisos no enfrentamento da crise hídrica.

O novo contrato com a CCDP prevê levar o projeto a 60% do design, além do desenvolvimento de uma usina de demonstração e a verificação de um preço máximo garantido. A empresa é a segunda a assumir as etapas iniciais do empreendimento. A primeira, Kiewit Infrastructure South Co., perdeu o contrato no outono, principalmente devido ao custo estimado de US$ 1,2 bilhão, quase 60% maior do que uma estimativa anterior.

O estado já aprovou um empréstimo de US$ 757 milhões a juros baixos para ajudar a financiar a usina, e a prefeitura espera receber uma verba federal. Ainda assim, os contribuintes arcarão com parte dos custos. Uma apresentação da prefeitura calcula que os moradores pagariam cerca de 13% do valor, com empresas comerciais arcando com 14%, e atacadistas e grandes usuários com 42% e 31%, respectivamente.

A Câmara também deve analisar em 2 de junho um contrato de cerca de US$ 9,5 milhões para contratar um consultor que represente a cidade na supervisão do projeto, além de um serviço de estimativa de custos independente.

Como parte da retomada do projeto no outono, a prefeitura se comprometeu a realizar estudos ambientais adicionais para resolver disputas sobre pesquisas anteriores sobre os impactos na baía. Ainda não se sabe se o novo estudo, chamado de modelo de campo distante, satisfaz as preocupações levantadas. O modelo analisou os impactos esperados da descarga de salmoura na temperatura e salinidade das baías de Nueces e Corpus Christi e no canal de navegação.

Vários vereadores afirmaram que precisariam de garantias de que as baías seriam protegidas para apoiar o projeto. A votação do contrato com a CCDP, inicialmente prevista para abril, foi adiada após a substituição do principal modelador do estudo. Membros de um comitê consultivo não chegaram a um consenso sobre a abrangência do estudo, que será apresentado na reunião de 2 de junho.

Alguns membros do comitê questionaram se a realização do modelo de campo distante foi apenas uma formalidade. Outros disseram que, embora os dados tenham sido produzidos, faltou uma interpretação prática do estudo. “Ainda acho que não respondemos à pergunta: qual é o impacto ambiental para a vida aquática?”, disse a membro do comitê Deanna King.

Alguns defensores do projeto e autoridades municipais mantêm que todos os estudos indicam que a usina não alteraria significativamente as condições da baía. O novo modelo não mostrou diferenças radicais em relação a estudos anteriores, segundo o gerente municipal Peter Zanoni. Ainda assim, a CCDP poderia usar os dados para refinar o projeto, se necessário. Zanoni afirmou que, embora o modelo não tenha incluído análises de oxigênio dissolvido ou vida aquática, “há mais trabalho a ser feito” em parceria com institutos de pesquisa.

A localização proposta também gerou preocupações sobre a saúde dos moradores próximos. O terreno do projeto fica nos arredores do bairro Hillcrest, uma subdivisão historicamente negra e hispânica que sofre com a expansão industrial há décadas. Em uma reunião recente, moradores e ativistas ambientais se manifestaram contra os planos. A moradora Monna Lytle disse que os vizinhos se opõem à usina, acrescentando que “estamos nessa luta desde 2020”. Ela pediu que os presentes contatassem seus representantes ou fossem à Prefeitura em 2 de junho para se dirigir pessoalmente aos vereadores.

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