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Copom mantém juros e evita sinalizar rumo

O corte de 0,25 ponto percentual na Selic já era esperado pelo mercado, mas o comunicado do Copom (Comitê de Política Monetária) não indicou qual será o próximo passo da política monetária. Para economistas, o Banco Central preferiu manter a flexibilidade e deixou em aberto tanto novos cortes quanto uma possível pausa no ciclo.

O colegiado do BC reduziu nesta quarta-feira (5) a taxa básica pela quarta reunião seguida. O comunicado divulgado após o encontro foi mais curto do que o anterior e é o mais enxuto desde março. O texto evitou dar sinais sobre a continuidade ou o fim do ciclo de cortes.

Na avaliação do economista Sergio Vale, da MB Associados, o comunicado traz argumentos tanto para encerrar o ciclo de cortes quanto para seguir com novas reduções. “A leitura está para todos os gostos. Tem argumentos para justificar que vai parar de cortar e tem argumentos para continuar cortando. Não quiseram fechar as portas”, afirmou.

Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, também entende que a falta de sinalização ocorre porque ainda não há dados suficientes para decidir. “Por que não se sinaliza o próximo passo? Porque não se sabe. Ainda é preciso ter mais informação para decidir na hora”, disse.

Rodolfo Margato, economista da XP, destacou mudanças na descrição do cenário econômico. No comunicado anterior, o comitê havia citado aceleração dos indicadores. Desta vez, reconheceu moderação na atividade e alguns sinais de perda de tração, embora com diferenças entre setores e mercado de trabalho aquecido.

Os diretores não deram orientação sobre o futuro, segundo Adriana Dupita, da Bloomberg. “O único comentário que fizeram sobre o futuro foi que eles ajustarão a política para mantê-la ‘adequadamente restritiva’, para garantir a convergência da inflação para a meta”, disse.

Helena Veronese, economista-chefe da B. Side Investimentos, concorda que o Copom preservou a flexibilidade. “Deixando a porta aberta para a continuidade no movimento que eles mesmos vêm chamando de ‘calibração’ dos juros”, afirmou.

A decisão desta quarta-feira deve produzir efeitos até o começo de 2028. O Copom publica dois documentos sobre as decisões da Selic: um comunicado, divulgado logo após a reunião, e a ata, uma semana depois.

Na decisão de junho, o comunicado foi considerado confuso porque citava um choque inflacionário ligado ao petróleo, mas mesmo assim houve corte da taxa. No dia seguinte, o dólar subiu. Depois, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que o comitê poderia ter errado ao tentar “explicar demais”.

A decisão desta semana já era prevista: as 30 instituições consultadas pela Bloomberg antes da reunião projetaram o corte. “O corte de 0,25 ponto era um consenso porque a taxa de juros ainda é muito alta e restritiva”, disse Alex Agostini, economista-chefe da Austin Ratings.

Em março, a Selic estava em 15% ao ano. Desde então, houve quatro reduções de 0,25 ponto percentual. O economista Roberto Troster afirmou que havia divisão entre os agentes de mercado, que acabou depois da divulgação dos últimos dados de inflação. O IPCA de junho foi de 0,16%, e o IPCA-15 desacelerou a 0,06% em julho.

Troster também citou a inadimplência em recordes, o que mostraria aperto monetário forte demais, e o dólar mais fraco ajudando a inflação. Ele vê como risco um choque exógeno nos preços com o El Niño, que causa alterações no clima brasileiro e afeta a produção de alimentos e a geração de energia hidrelétrica.

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