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Católicos ultratradicionalistas em cisma no Brasil

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), grupo de católicos ultratradicionalistas, voltou a ser alvo de debate após o Vaticano excomungar cinco sacerdotes e reconhecer como cismática uma de suas comunidades no Brasil. O grupo está presente em 11 estados brasileiros e no Distrito Federal.

Na Capela Nossa Senhora da Conceição, em Pendotiba, Niterói (RJ), a missa é celebrada em latim, com o padre de costas para os fiéis. O rito, abandonado pela Igreja Católica após o Concílio Vaticano II (1962-1965), é mantido pela Fraternidade. Apesar de minoritário, o movimento ganhou visibilidade nos últimos anos, impulsionado por redes sociais e influenciadores ligados ao tradicionalismo católico.

Em Pendotiba, a missa voltada ao sacerdócio reuniu 16 pessoas. Aos domingos, a capela reúne cerca de 800 fiéis, segundo a comunidade. Situação semelhante é relatada em outras unidades, como no Ceará e em Santa Maria (RS), onde parte do público acompanha a missa do lado de fora quando a igreja lota.

Confronto com o Vaticano

Em 2 de julho, a Santa Sé confirmou a excomunhão de quatro bispos ligados à FSSPX, consagrados na Suíça sem autorização do Papa Leão XIV. No Brasil, a medida afetou a Capela Santo Atanásio, em Ceilândia (DF). A Arquidiocese de Brasília informou que o padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa está fora da comunhão da Igreja e orientou os fiéis a não participarem das celebrações do local.

Após a divulgação, Françoá Costa publicou um vídeo nas redes afirmando que continuará celebrando missas e classificou a punição como “inválida”. A Fraternidade apresentou recurso ao Vaticano pedindo a revisão da excomunhão e sustenta que a consagração dos bispos foi necessária para garantir a continuidade de suas atividades.

Dom Lourenço Fleichman, de Niterói, rejeita a classificação de cisma e afirma que o grupo enviou dois pedidos ao Vaticano solicitando autorização para as nomeações, mas, sem resposta, decidiu realizar as consagrações.

Origens e divergências

A Fraternidade foi fundada em 1970 pelo arcebispo francês Dom Marcel Lefebvre em reação às mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II. Entre as principais reformas estavam a celebração das missas nos idiomas locais, maior participação dos fiéis e uma aproximação da sociedade contemporânea.

A FSSPX defende a Missa Tridentina (rito anterior ao Concílio), celebrada em latim. O Vaticano permite a missa tradicional em algumas circunstâncias, mas a forma ordinária é a missa reformada, normalmente celebrada na língua local. A Fraternidade contesta a interpretação de cisma e afirma manter fidelidade à autoridade do Papa, mas rejeita as reformas da Igreja por considerá-las um afastamento da tradição.

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