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Bolsonarismo ameaça existencial Moraes

As pesquisas estaduais para o Senado indicam favoritismo da direita e da centro-direita na eleição deste ano. A projeção estima que as duas forças políticas podem conquistar, juntas, ao menos 40 das 81 cadeiras a partir de 2027, ficando a apenas uma vaga da maioria absoluta. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que a legenda pode eleger 20 novos senadores em outubro. Com os oito atuais que permaneceriam no partido, a bancada chegaria a 28 parlamentares. Nesse cenário, o PL precisaria de 13 votos da centro-direita para alcançar os 41 necessários e eleger o presidente da Casa.

O presidente do Senado tem o poder de iniciar processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Com isso, a eleição pode afetar os três Poderes. Além de definir o Executivo, a renovação de dois terços do Senado poderá influenciar a entrada e a saída de ministros da Corte. O PL já manifestou o objetivo de formar uma bancada favorável ao impeachment de magistrados, especialmente de Alexandre de Moraes.

Os confrontos entre Flávio Bolsonaro e Moraes devem se intensificar. Na semana passada, Moraes cobrou explicações de Flávio sobre um vídeo produzido pela campanha dele. Para Flávio, Moraes é o principal adversário do bolsonarismo, e o embate ajuda a mobilizar seus apoiadores. Para Moraes, confrontar o grupo de Flávio é uma forma de manter o apoio de seus aliados.

A campanha de Flávio deve continuar testando os limites do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A imagem do pai é o principal ativo eleitoral do candidato. Pesquisas mostram que a piora na imagem de Flávio após o caso “Dark Horse” foi acompanhada pelo aumento da popularidade de Bolsonaro. Se eleito, Flávio poderá indicar três ministros ao STF.

O presidente Lula, se reeleito, poderá nomear ministros para as vagas abertas por aposentadorias de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Ao todo, o petista teria feito 14 nomeações ao Supremo em sua carreira e poderia ter escolhido sete dos 11 ministros em atividade. A eventual mudança na composição da Corte, no entanto, não alteraria a aritmética das urnas nem eliminaria a ameaça vinda do Senado. Flávio precisa esticar a corda; Moraes precisa sobreviver.

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