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Andrea Beltrão: filme e homenagem em Gramado

Andrea Beltrão recebe o Troféu Oscarito no Festival de Cinema de Gramado no próximo dia 14, durante a cerimônia de abertura do evento. A atriz, que acumula prêmios como três troféus Shell, dois APCA, dois Candangos e um Grande Otelo, comentou a homenagem. “Recebo essa homenagem como uma doce lembrança sobre os meus trabalhos, com honra e uma certa timidez também”, disse à Vogue. Ela também lembrou da importância de Oscarito em sua formação. “Oscarito foi referência na minha vida toda. Assisti às suas chanchadas várias vezes, já o imitei e continuo imitando”, completou.

No festival, Andrea também apresenta o filme Antártida, thriller psicológico dos Estúdios Globo em coprodução com a Globo Filmes. O longa, que chega aos cinemas em 17 de setembro, foi gravado em um estúdio de mais de 1.500 m², com câmeras autotracking, uso de inteligência artificial e realidade aumentada, além de 300 m² de telas de LED. Na trama, a atriz interpreta a subcapitã Elisabeth, que investiga um crime de estupro em uma estação brasileira no continente austral. A vítima é Inês, personagem de Marina Ruy Barbosa. Andrea nunca visitou a Antártida e brincou sobre a experiência: “Me senti meio misto de Tamara Klink com Sigourney Weaver”. Sobre o tema central, ela afirmou que é um assunto pesado, mas que a oportunidade de abordá-lo de forma profunda é positiva.

A atriz também comentou sobre o desafio tecnológico da produção, diferente do que viveu em Tapas e Beijos, quando usava chroma-key em cenas na loja Djalma Noivas. “Foi bem diferente em Antártida”, relembrou. Andrea aproveitou para falar da amizade com Fernanda Torres, sua parceira em Tapas e Beijos, e da montagem teatral Lady Tempestade, em que viveu a advogada Mércia Albuquerque Ferreira, figura-chave na defesa de presos políticos durante a ditadura militar. Segundo a atriz, a peça ganhou repercussão para além do teatro, com textos de Míriam Leitão, Bernardo Mello Franco e Sérgio Abranches sobre a importância de Mércia.

Andrea também falou sobre o Poeira e o Poeirinha, teatros que fundou com Marieta Severo. A amizade entre as duas começou nos bastidores de uma peça. “Ficamos amigas numa peça que Marieta produziu e protagonizou chamada Estrela do Lar. Eu tinha 28 anos e a gente chegava horas antes no teatro, falava e falava e falava”, contou. O projeto dos teatros surgiu durante as gravações de A Grande Família. “Durante um jantar depois da gravação, começamos a falar sobre a ideia de ter um teatro. No dia seguinte, a gente já estava andando pela cidade de carro, procurando casas”, disse.

Na TV, a atriz é lembrada por papéis como a Zelda Scott de Armação Ilimitada, a Sueli de Tapas e Beijos, a Marilda de A Grande Família e a Zefa Leonel de Rancho Fundo. No cinema, sua trajetória inclui clássicos como Bete Balanço e os filmes de terror de Ivan Cardoso. Em 2019, viveu a apresentadora Hebe Camargo no cinema. Andrea contou que no início teve dificuldade para encontrar o caminho da personagem. “Sou carioca, não via nenhum ponto de contato entre a minha vida e a dela, o que penso e o que ela pensava, sou de esquerda, ela era de direita”, explicou. A virada veio ao assistir uma entrevista de Hebe ao Jô Soares. “Ela começa a contar como ela queria que fosse o velório dela, o enterro, como estaria vestida para a ocasião. Curiosamente, também sempre fiz isso. Aí me deu um ‘pá’! Perdi a vergonha e achei o caminho.”

Fora da dramaturgia, Andrea é fanática por futebol e torcedora do Flamengo. “Sou viciada em futebol, fanática. Fiquei chateada com a derrota do Brasil, ainda que não tivesse muita esperança. Mas vi todos os jogos da Copa”, afirmou. Na infância, chegou a sonhar em ser atleta olímpica. “O atleta lida com dor a vida toda. E vai. Acho que o esporte e a arte têm muito a ver”, refletiu. Neste ano, além de Antártida, Andrea estreia na Netflix com a série Enfim Sós, com roteiro de Cláudio Paiva, direção de Maurício Farias e elenco formado por Fábio Assunção, Marco Ricca e Cláudia Abreu.

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