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Ajay Mitchell: Chave para o potencial do Thunder

No jogo de abertura da segunda rodada dos playoffs da NBA, entre Oklahoma City Thunder e Los Angeles Lakers, o armador Ajay Mitchell teve uma boa atuação. Ele terminou a partida com 18 pontos e quatro assistências, acertando 43,8% dos arremessos de quadra. Com a ausência de Jalen Williams, o jogador formado em Santa Clara assumiu um papel de destaque, mas mostrou uma deficiência em um aspecto específico: os arremessos de três pontos.

Pelo terceiro jogo consecutivo nos playoffs, Mitchell converteu apenas um de seus cinco arremessos de longa distância. O ponto mais preocupante foi que ele errou as duas tentativas de arremesso após receber passes do astro Shai Gilgeous-Alexander. Na pós-temporada, Mitchell acerta 45% de seus arremessos de três, enquanto na temporada regular o percentual é de 34,7%. No entanto, em situações de arremesso após o passe (catch-and-shoot), ele converte apenas 34,1% das tentativas, o que o coloca no 19º percentil entre jogadores com pelo menos 138 arremessos desse tipo.

Apesar de Mitchell ter habilidade para penetrar na defesa, semelhante a Gilgeous-Alexander, sua dificuldade em converter arremessos gerados pelo companheiro pode limitar o potencial ofensivo do Thunder. A falta de consistência nesse fundamento pode tornar a dupla incompatível a longo prazo.

Lições do passado para o presente

Antes de LeBron James, aos 41 anos, tentar liderar sua equipe contra um dos melhores times da história da NBA, sua versão mais jovem dominava a Conferência Leste ao lado de Kyrie Irving. Naquela época, James atraía a atenção dos defensores e passava a bola para Irving, que podia arremessar de três ou atacar a defesa adversária. O sucesso da dupla em Cleveland se devia, em grande parte, à eficiência de Irving nos arremessos de longa distância. Durante os três anos em que jogaram juntos, Irving acertou 43,4% de seus arremessos de três após receber passes. As defesas eram forçadas a fechar o espaço rapidamente, o que abria oportunidades para o ataque.

O desafio de Mitchell

Mitchell, assim como Irving, tem habilidade para controlar os ângulos de penetração na defesa. A diferença é que, se as defesas perceberem que não precisam fechar o espaço com tanta intensidade, as oportunidades criadas pela presença de Gilgeous-Alexander diminuem. O ataque do Thunder depende desse jogo de penetração e passe. Quando Gilgeous-Alexander atrai a defesa, seus companheiros precisam manter a rotação, atacar os espaços e arremessar de três. Se Mitchell não conseguir acertar esses arremessos, sua principal qualidade, que é o ataque ao aro, perde eficácia. Isso também atrapalha o fluxo ofensivo de Gilgeous-Alexander e de todo o time.

Nos playoffs, onde a margem para erro é pequena, a repetição de padrões se torna uma fraqueza que os adversários podem explorar. O Thunder não trocaria a capacidade de pontuação de Gilgeous-Alexander pela habilidade ligeiramente acima da média de Mitchell. No entanto, se Mitchell melhorar seus arremessos após o passe, seu valor para o time aumentará. Com isso, o Thunder pode se tornar não apenas a melhor defesa do século, mas também um dos melhores ataques, seguindo o modelo dos times de Cleveland liderados por LeBron James e Kyrie Irving, que tiveram três das melhores ofensivas da era moderna.

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