Weverton Rocha: Piscina com Grupo Seletos
Policiais federais que cumpriram mandado na casa do advogado Willer Tomaz, na última terça-feira (4), encontraram um casarão de alto padrão no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. No imóvel, havia uma adega de vinhos que vai do chão ao teto na entrada e um closet com mostruário climatizado de relógios, cada um em temperatura específica. O escritório do advogado, Willer Tomaz Advogados Associados, fica no mesmo bairro e também está sob investigação no escândalo do INSS.
Os investigadores suspeitam que Willer lavava dinheiro para o senador Weverton Rocha (PDT-MA), com parte dos valores vinda de desvios de aposentadorias e pensões. Durante a análise do celular do senador, apreendido no fim do ano passado, a polícia encontrou uma foto que mostra a relação do advogado com parlamentares. A imagem, obtida pela piauí, foi registrada em 23 de abril de 2023 no Rancho Tomaz, propriedade de Willer em Planaltina, a 80 km de Brasília.
Na foto, aparecem deputados e senadores de diferentes partidos, quase todos da direita e do Centrão, dentro e fora da piscina, com cervejas e drinques. É possível identificar Arthur Lira (PP), ex-presidente da Câmara, Alexandre Ramagem (PL), ex-diretor da Abin, Juscelino Filho (PSDB), Elmar Nascimento (União), Paulo Azi (União) e Weverton Rocha. A viagem foi combinada em um grupo de WhatsApp chamado “Grupo Seleto”, que funcionava como lista de presença para o feriado de Tiradentes.
Na época da festa, Lira ainda presidia a Câmara, cargo que deixou em 2025. Ramagem, então deputado federal, foi cassado em dezembro de 2025, após condenação a 16 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado contra Lula. Hoje, ele está foragido. Mulheres de alguns políticos também participavam do grupo, como Lia Rezende, esposa de Juscelino, e Angela Lira, casada com Arthur. Apesar de não aparecerem na foto da piscina, há indícios de que estavam no rancho. Publicações no Instagram de Iris Azi e Gerlane Baccarin, no dia 22 de abril de 2023, mostram as duas em uma academia envidraçada cercada por árvores, idêntica à do local.
O Rancho Tomaz é uma propriedade suntuosa, com academia, piscina aquecida, quadras de tênis, campo de minigolfe e píer com acesso à Lagoa Formosa. Os objetos e móveis são estilizados com as iniciais WT, de Willer Tomaz. O advogado também possui lanchas, jet skis e mesas de poker. O inquérito aponta que empresas de Willer transferiram cerca de 11 milhões de reais para Samya Rocha, mulher de Weverton. Há indícios de que a casa do senador, também no Lago Sul, foi comprada por Willer, que ainda bancava contas de luz, telefone e cartão.
A Polícia Federal suspeita que Weverton e Willer tentavam “ocultar ou dissimular a origem” de dinheiro obtido ilegalmente. A hipótese foi apresentada na petição enviada ao ministro do STF André Mendonça, que fundamentou a operação desta semana. A fotografia não foi mencionada no documento, mas está sob análise dos investigadores. Willer, conhecido como WT, começou com uma loja de informática em Taguatinga e criou o escritório de advocacia em agosto de 2010. Advogou para figuras como Arthur Lira e os irmãos Batista, do grupo J&F, e chegou a ser preso em 2017 sob suspeita de suborno a um procurador, sendo solto em seguida. Ele também se aproximou do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que o chamou de “meu amigo” durante a CPI da Covid.
Em abril de 2023, Willer tentava uma vaga no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por indicação da Câmara, mas desistiu. Naquele ano, a Folha de S.Paulo noticiou que o Ministério das Comunicações, então sob comando de Juscelino Filho, tomava decisões favoráveis ao advogado. Um ex-sócio de Willer era diretor do Departamento de Radiodifusão Privada e permitiu a expansão da TV Difusora do Maranhão, cujo conselho de administração era presidido por ele. A piauí contatou os parlamentares identificados na foto. Paulo Azi confirmou presença no rancho. Elmar Nascimento disse que estava em Tiradentes (MG) no dia 21 de abril, dois dias antes da data da foto. Hiran Gonçalves afirmou que “de vez em quando” vai ao local. Ângelo Coronel disse não lembrar da viagem, mas confirmou que já esteve no rancho. Arthur Lira, Alexandre Ramagem e Juscelino Filho não responderam.
Em nota, Willer Tomaz disse que só foi alvo da PF por ter emprestado sua aeronave a Weverton Rocha, “em caráter estritamente particular”, e negou vínculo com o esquema de fraudes previdenciárias. Weverton Rocha afirmou ter recebido a operação “com tranquilidade” e que suas movimentações financeiras são “fruto de atividades profissionais e empresariais”.