Tornado no Paraná: produtor relata impotência
O advogado e produtor rural Bernardo Milleo registrou em vídeo o tornado que atingiu a área rural de Piraí do Sul (PR), na região dos Campos Gerais, no último sábado (8/8). Em entrevista à Globo Rural nesta segunda-feira (10/8), ele descreveu o momento como uma “sensação de impotência”. O fenômeno passou dentro da fazenda dele, localizada no bairro rural Fundão, mas não atingiu as áreas de produção nem a moradia.
Milleo afirmou que a intensidade dos trovões e relâmpagos que acompanharam o evento também foi assustadora. O ocorrido foi repentino, o que aumentou o espanto. “Foi um fator climático estranho”, avaliou. A destruição atingiu o acesso à propriedade, com queda de árvores, galhos e vegetação arrastada para a via. “Ficamos presos”, acrescentou. O trânsito foi liberado depois com a atuação de equipes da prefeitura.
Na fazenda, Milleo possui três granjas de suinocultura, com 3.500 animais, e área de reflorestamento com pinus e eucalipto. Sem estragos na propriedade, ele participa de uma força-tarefa organizada por autoridades e população para ajudar os afetados.
Levantamento de danos
Nesta segunda-feira, equipes da Defesa Civil Estadual e de secretarias municipais de Piraí do Sul continuaram o trabalho de campo para levantar os danos causados pelo tornado. O fenômeno não deixou vítimas fatais, mas o levantamento inicial aponta que cerca de 500 pessoas foram afetadas com algum tipo de prejuízo. Os trabalhos também servem para documentação e elaboração do decreto de Situação de Emergência.
Os estragos ficaram concentrados na área rural do município, com 30 residências impactadas, seis delas destruídas pelos ventos que passaram de 200 km por hora. Houve danos em dois barracões agrícolas. A Secretaria Municipal de Agricultura atua no levantamento das atividades agropecuárias atingidas. Os bairros mais afetados foram Santo André, Boa Vista, Jararaca, Fundão e Capinzal.
A força do vento derrubou árvores, danificou a vegetação e obstruiu trechos de estradas rurais. A rede elétrica também foi afetada, com queda de postes e transformadores, deixando moradores sem luz. Equipes da Copel trabalham no local para reparar a rede de energia. A prefeitura realiza a remoção de árvores caídas para liberar o trânsito, inclusive no bairro Santo André, que ficou isolado.
Apoio e assistência
Equipes do 2º Núcleo de Atuação Regional (NAR) da Defesa Civil Estadual, do Corpo de Bombeiros e de outros órgãos de segurança permanecem no município. Uma remessa inicial de ajuda humanitária chegou à cidade. As equipes prestam atendimento às famílias que precisaram deixar suas casas. A Defesa Civil distribuiu lonas para cobrir estruturas destelhadas. Uma campanha de doações arrecada alimentos não perecíveis, lonas, materiais de construção e produtos de higiene.
Os decretos de Situação de Emergência, quando reconhecidos pelo Estado ou União, permitem a atuação complementar das esferas. A principal mudança administrativa é a dispensa de licitações para reconstrução. Moradores afetados podem ter acesso a benefícios como linhas de crédito para agricultores e saque do FGTS.
Análise do fenômeno
Uma equipe do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) esteve em Piraí do Sul para análise de campo, com um operador de drone da Defesa Civil registrando imagens aéreas. As características visuais nos vídeos indicam a ocorrência de um tornado, o décimo registrado no Estado em 2026. A classificação oficial e a intensidade serão definidas após o cruzamento dos levantamentos aéreos, depoimentos de moradores e mapeamento dos danos.
Instabilidades com vendavais e granizo, no fim de semana, também causaram danos nos municípios de Candói, Sapopema, Guarapuava, Jaguariaíva e Rio Branco do Sul.
O Sistema Faep reforçou a cobrança por medidas de apoio à população e aos produtores rurais afetados. A entidade encaminhou ofícios ao governo estadual e à Copel com reivindicações para acelerar o atendimento às propriedades. O pedido inclui a criação de linhas emergenciais de crédito, com condições diferenciadas, por meio da Fomento Paraná, do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e de outros instrumentos estaduais, para recuperação de prejuízos e reconstrução de residências, galpões e estruturas produtivas.