Sobrinho de Kennedy, marido de Giulia Be, preso na Rússia
O Tribunal Distrital de Basmanny, em Moscou, autorizou a prisão à revelia do americano Conor Kennedy, de 31 anos. Ele é acusado de atuar como mercenário ao lado das Forças Armadas da Ucrânia. Kennedy é sobrinho-neto do ex-presidente dos Estados Unidos John Kennedy e marido da cantora brasileira Giulia Be. Após a decisão, ele foi incluído na lista internacional de procurados.
A defesa recorreu, mas a instância responsável manteve a decisão do tribunal distrital. O julgamento da apelação ocorreu em sessão fechada e a decisão de primeira instância foi considerada legal. As informações foram divulgadas pela agência de notícias russa Tass.
Kennedy é acusado com base na parte 3 do artigo 353 do Código Penal da Federação Russa, que trata da participação de mercenários em conflitos armados ou operações militares. A pena prevista para o crime é de sete a dez anos de prisão.
Conor Kennedy relatou anteriormente, em suas redes sociais, que retornou da Ucrânia em outubro de 2022. Segundo o próprio relato, ele participou de combates na região de Kharkiv como integrante da Legião Internacional, ao lado das Forças Armadas da Ucrânia, usando uma identidade não revelada.
Em uma publicação de 14 de outubro de 2022, Kennedy afirmou que sabia que sua participação na Ucrânia acabaria sendo descoberta e decidiu apresentar sua própria versão dos acontecimentos. Disse também que pretendia incentivar outras pessoas a agir.
“Sei que esta história vai vir à tona, então quero dar minha versão primeiro, para tirar o melhor proveito disso e incentivar outras pessoas a agir. Como muitas pessoas, fiquei profundamente comovido com o que vi acontecer na Ucrânia no último ano. Eu queria ajudar. Quando soube da Legião Internacional da Ucrânia, soube que iria e, no dia seguinte, fui à embaixada para me alistar”, disse.
Kennedy diz que contou a uma pessoa onde estava e revelou seu nome verdadeiro a outra. Segundo ele, não queria que familiares e amigos se preocupassem e também não queria receber tratamento diferenciado por conta de sua identidade.
“Contei a uma pessoa aqui onde eu estava e contei a uma pessoa lá meu nome verdadeiro. Não queria que minha família ou meus amigos se preocupassem e não queria ser tratado de maneira diferente lá. Quando cheguei, não tinha nenhuma experiência militar anterior e não era um bom atirador, mas conseguia carregar coisas pesadas e aprendia rápido. Também estava disposto a morrer lá. Então, logo concordaram em me enviar para a frente nordeste”, escreveu.
Ele descreveu sua permanência na Ucrânia como curta, mas afirmou ter presenciado e sentido muitas coisas durante o período em que esteve no país. Disse que gostou de ser soldado mais do que esperava, embora tenha considerado a experiência assustadora.
Outros estrangeiros também foram presos à revelia por tribunais russos. Entre eles estão o americano Ingram Asbill Tracy James, de 37 anos; o operador de drones britânico Shorny Joseph Richard Ryan; a sargento sueca e instrutora militar Carolina Nordengrip, de 46 anos; e Karel Cherel-Salzburg, desertor para a França. Também foram citados o sérvio Nenad Arsic; o recrutador tcheco Jan Trcka, de 39 anos; o georgiano Akaki Murachashvili; o estoniano Oleg Kolevatov, de 32 anos; e o colombiano Ramirez Ivan Tiku Dario, de 38 anos.
Segundo o correspondente da Tass, todos os estrangeiros mencionados foram presos à revelia e incluídos na lista internacional de procurados por mercenarismo ao lado das Forças Armadas da Ucrânia. As decisões judiciais relativas aos estrangeiros mencionados transitaram em julgado.
Conor Kennedy é sobrinho-neto do ex-presidente dos Estados Unidos John Kennedy e neto do ex-procurador-geral americano Robert Kennedy. Ele é filho de Robert F. Kennedy Jr., secretário de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. Aos 31 anos, Kennedy é advogado, com formação voltada para história, literatura, energia e meio ambiente. Também é envolvido com causas ambientais e dono de uma presença discreta nas redes sociais.
Kennedy ganhou atenção da imprensa internacional por seu relacionamento com a cantora Taylor Swift, em 2012. Em 2013, foi detido durante um protesto por desobediência civil. Em 2016, foi novamente levado à delegacia após uma briga em um bar. Segundo a BBC, ele havia intervindo para defender um amigo que sofria ataques homofóbicos.
Desde 2021, Kennedy mantém um relacionamento com a cantora, compositora e atriz brasileira Giulia Be. Os dois se conheceram virtualmente enquanto ela estava no Brasil gravando um filme e ele concluía uma pós-graduação nos Estados Unidos. Durante cinco meses, trocaram mensagens antes de se encontrarem pessoalmente. O pedido de namoro ocorreu em 2022, e o noivado foi realizado em agosto de 2025, no primeiro dia em que os dois se mudaram para a casa onde vivem juntos.
Em 23 de março de 2026, os dois oficializaram a união em uma cerimônia intimista em Los Angeles, nos Estados Unidos, com a presença apenas de familiares. A celebração religiosa está marcada para 10 de outubro de 2026, na Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, no Rio de Janeiro.