Sarampo: risco de surto no Brasil? Tire dúvidas
O Ministério da Saúde recomendou a revacinação de toda a população e a aplicação de uma “dose zero” em bebês com menos de um ano na capital paulista, em São Bernardo do Campo e em Guarulhos, após a confirmação de um pequeno surto de sarampo. A medida ocorre em um cenário de baixa cobertura vacinal e alto risco de propagação do vírus, mas, por enquanto, o país não deve perder o certificado de eliminação da doença.
Segundo Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), a situação exige atenção. Ele explica que, em locais de grande circulação de pessoas, como o metrô de São Paulo, a chance de um infectado encontrar alguém não vacinado é alta. “É uma situação que gera atenção, mas que temos condição de controlar”, afirmou.
O Ministério da Saúde confirmou 17 casos de sarampo no Brasil em 2026. Desses, um foi registrado na cidade do Rio de Janeiro, 13 em São Paulo, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. Três casos já foram encerrados sem risco de disseminação, incluindo o do Rio. Os outros 14 seguem em acompanhamento nas cidades paulistas.
No Rio de Janeiro, o caso foi confirmado em março em uma mulher de 22 anos, sem registro de vacinação, que trabalhava em um hotel. As autoridades realizaram a investigação, vacinaram os contatos próximos e buscaram outros possíveis casos na região onde ela morava.
Em São Paulo, dos casos ativos, cinco são em adultos, três em bebês de 1 a 2 anos e seis em menores de um ano. A maior parte não tinha a vacinação completa. A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba, é aplicada em duas doses: a primeira aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. A “dose zero” é uma aplicação extra entre os 6 e 11 meses de vida e não substitui as doses futuras.
A orientação é vacinar todos os moradores das três cidades, de 6 meses a 59 anos, mesmo aqueles que já foram imunizados. A revacinação em massa vai até 1º de setembro, quando termina a campanha nacional de multivacinação. A “dose zero” deve continuar até a confirmação do fim do surto.
Especialistas alertam que a cobertura vacinal ainda não atingiu a meta de 95% recomendada. A cobertura nacional com a primeira dose está em 89%, e a segunda em 73,5%. No Rio e em São Paulo, apenas cerca de 65% completaram o esquema. O Brasil perdeu o certificado de eliminação do sarampo em 2019, mas o reconquistou em 2024, após dois anos sem transmissão local. Para perder o certificado novamente, seria necessário haver transmissão sustentada do vírus por 12 meses consecutivos.
O sarampo é altamente transmissível. Em um ambiente de não vacinados, um único caso pode infectar outras 18 pessoas. Em crianças pequenas, o risco de pneumonia e morte por infecções secundárias é alto. Países como Peru, Bolívia, Estados Unidos, México e Canadá estão com transmissão ativa, o que aumenta a pressão externa para a entrada de casos no Brasil.