São Paulo encaminha R$ 140 mi em acordo
O São Paulo está perto de fechar um acordo de cinco anos com a Ticketmaster para a venda de ingressos e gestão do programa de sócio-torcedor. A negociação inclui a antecipação de cerca de R$ 140 milhões em receitas para o clube.
Segundo apuração do UOL, as partes estão na fase final de troca de minutas contratuais. A assinatura deve ser concluída ainda nesta semana, com anúncio previsto para os próximos dias.
O movimento ocorre em meio a questionamentos internos sobre o processo de concorrência. Uma nova proposta apresentada pela empresa dinamarquesa NewC também aumentou a pressão nos bastidores.
Troca de empresa responsável
O contrato atual do São Paulo com a Total Acesso é válido até o fim deste ano e não será renovado. Em abril, a diretoria abriu um processo de concorrência para selecionar um novo parceiro para a operação de bilheteria. A Total Acesso chegou a ter a oportunidade de melhorar as condições do contrato vigente.
O edital pedia uma solução integrada envolvendo venda de ingressos, controle de acesso, antecipação de recebíveis e exploração de ativos de hospitalidade do Morumbis, incluindo o camarote corporativo 29A.
A Ticketmaster participou de todas as etapas e apresentou a proposta considerada mais vantajosa. O contrato em discussão tem duração de cinco anos, com pagamento de R$ 140 milhões antecipado ao clube. A devolução está prevista para o mesmo período, com taxa de juros pré-estabelecida.
A relação entre Ticketmaster e Live Nation é vista como um facilitador. A empresa de ingressos pertence ao mesmo grupo da promotora de eventos, responsável pelos shows no Morumbis por meio de contrato de exclusividade válido até 2031.
Antecipação de receitas
A necessidade de reforçar o caixa se tornou um dos principais pilares da negociação. São Paulo e Ticketmaster finalizam detalhes da operação, especialmente a taxa de juros que será aplicada sobre a operação financeira.
A entrada imediata de recursos é vista internamente como importante para atender compromissos financeiros. Entre eles, o pagamento para solucionar o transfer ban imposto ao clube e salários atrasados com o elenco.
O edital da concorrência determinava que os participantes apresentassem estrutura de antecipação de recebíveis com prazo de cinco anos. O documento deveria detalhar valor bruto da operação, custo efetivo total (CET), taxas, garantias e cronograma de amortização.
Camarote corporativo
O camarote corporativo 29A do Morumbis foi outro ativo considerado estratégico. O espaço fica no setor oeste do estádio e tem capacidade para 595 lugares e quatro vagas de garagem.
O edital previa que as empresas apresentassem proposta financeira para exploração comercial do camarote em dias de jogos e eventos, além da possibilidade de uso em datas sem partidas. A proposta da Ticketmaster prevê cerca de R$ 30 milhões em antecipação vinculados à exploração do espaço.
Sócio-torcedor
Na fase final da concorrência, passou a ser discutida também a transferência da operação do programa sócio-torcedor. Atualmente, o serviço é administrado pela empresa FENG, cujo contrato também termina no final deste ano.
A tendência é que a nova parceira concentre tanto a plataforma de venda de ingressos quanto a operação do programa de associados. As negociações vêm sendo conduzidas pelos departamentos jurídico e financeiro, por integrantes do Conselho de Administração e pelo diretor de marketing André Marques.
O contrato terá cláusula expressa determinando que não haverá pagamento de comissão para intermediários. A premissa está alinhada ao instrumento de concorrência elaborado pelo clube, que proíbe o pagamento de comissões e a utilização de intermediários não declarados.
Conselho questiona contrato
Apesar da assinatura estar próxima, o contrato ainda deverá ser submetido à aprovação do Conselho Deliberativo. Nos últimos dias, inúmeros conselheiros contataram a presidência pedindo detalhes do acordo.
O conselheiro Daurio Speranzini, de Oposição, encaminhou um documento ao presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, solicitando acesso a uma série de documentos antes da análise. Entre os pedidos estão o edital completo, a lista de empresas participantes, propostas originais e finais, registros das negociações, matriz de avaliação, estudo financeiro, contratos envolvendo Ticketmaster e Live Nation e pareceres jurídicos.
Daurio aponta situações que justificariam um eventual adiamento da deliberação. Entre elas, ausência de projeções de caixa para a próxima gestão, critérios de avaliação definidos após o recebimento das propostas, indefinições sobre a propriedade dos dados dos torcedores e a necessidade de análise conjunta do contrato entre Live Nation e Ticketmaster.
Proposta da NewC
Conselheiros e sócios afirmam que Harry Massis estaria desconsiderando uma nova proposta da NewC Sport. A companhia participou regularmente do processo de concorrência e chegou à reta final da seleção.
Representantes da empresa passaram a se reunir com integrantes de diferentes grupos políticos do clube para apresentar uma nova estrutura financeira. Um conselheiro presente em um dos encontros, que pediu para não ser identificado, afirmou que a proposta seria na casa dos R$ 500 milhões, um aporte para cobrir toda a dívida bancária e outras dívidas onerosas.
O financiamento seria de longo prazo, de 8 a 10 anos, com garantias em receitas de bilheteria e outras receitas do estádio. A apresentação da NewC aos conselheiros mostra que a proposta incluiria a gestão da venda de ingressos, o programa de sócio torcedor e firmaria compromisso com o direito de superfície do Morumbis pelo prazo de retorno do valor aportado. Procurada pelo UOL, a NewC preferiu não comentar o assunto.
O São Paulo afirmou que a escolha da nova operadora ocorre por meio de “um edital público, com critérios…”