Insights

Pix sem internet: novidades do BC para 2025

O Banco Central (BC) divulgou nesta segunda-feira (10) um relatório com os planos de evolução do Pix. A autarquia detalhou projetos em andamento que devem trazer novas formas de pagamento, ampliar o uso do sistema em situações sem internet e reforçar mecanismos contra golpes. O BC não informou prazos para a chegada de cada novidade aos usuários.

Uma das mudanças previstas é o avanço do Pix por aproximação para pagamentos sem conexão com a internet. A ideia é permitir que o pagador inicie uma transação mesmo sem estar conectado. Além do celular, outros dispositivos com tecnologia NFC, como cartões, relógios e pulseiras, poderão ser usados. Cartões com chip também podem ser incorporados no futuro.

Outra novidade em estudo é a cobrança híbrida, que vai reunir boleto e Pix em um único documento. O consumidor poderá escolher entre pagar pelo código de barras ou escanear o QR Code do Pix. O BC trabalha na padronização das regras e da experiência para os usuários, já que a possibilidade existe em soluções privadas.

O Pix Automático deve ser ampliado. Entre as possibilidades avaliadas estão o uso em contas salário, pagamento parcial de cobranças, pagamentos sem periodicidade definida e portabilidade de autorizações entre instituições financeiras.

O Pix internacional também está nos planos do BC. A autarquia avalia conectar o sistema brasileiro a plataformas de pagamentos instantâneos de outros países. Isso poderia permitir compras e remessas internacionais com conversão para a moeda local em segundos e potencial redução de tarifas. Atualmente, soluções para pagar com Pix no exterior são oferecidas por empresas privadas, sem conexão direta com sistemas estrangeiros.

Na área de segurança, o BC estuda criar um indicador de probabilidade de fraude, calculado em tempo real com uso de aprendizado de máquina. A informação seria enviada aos bancos para reforçar os sistemas antifraude, mas a decisão de bloquear ou autorizar a operação continuaria com cada instituição. A disponibilização do indicador ainda depende de testes do modelo e de avaliação jurídica.

O BC também pretende padronizar os alertas de golpe exibidos pelos bancos antes de operações suspeitas, definir critérios mínimos para identificar transações com indícios de fraude e ampliar a capacidade de bloquear ou excluir chaves Pix problemáticas.

O avanço das funcionalidades acompanha a expansão do uso do sistema. Em 2025, foram realizadas quase 80 bilhões de transações, alta de 25,7% em um ano, movimentando mais de R$ 35 trilhões, crescimento de 33,8%. Somente em dezembro, foram 7,8 bilhões de operações, que movimentaram R$ 3,7 trilhões. O recorde diário chegou a 313,3 milhões de transações em 5 de dezembro.

Ao fim de 2025, o Pix tinha mais de 920 milhões de chaves cadastradas e era usado por 148 milhões de pessoas físicas, cerca de 86% da população adulta, e 12,8 milhões de empresas. O sistema se consolidou nas compras: 43% das transações de 2025 foram de pessoas para empresas, ante 6% em 2020.

Navegue por todo o conteúdo