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Papa: diálogo e convivência sustentam a família

Semana da Família destaca diálogo e convivência como base para o lar

Nesta segunda semana de agosto, a Igreja celebra a Semana Nacional da Família, dentro do Mês Vocacional. O tema deste ano é “Família, torna-te aquilo que és”. Para a Igreja, a família é o lugar onde a vida nasce, é acolhida como dom de Deus e se desenvolve por completo.

No mundo de hoje, esse modelo enfrenta desafios. A lógica dos algoritmos e o tempo gasto diante das telas têm afastado as pessoas dentro de casa. Por isso, as famílias precisam reaprender a dar valor à convivência presencial e resgatar a própria identidade.

O assessor da Pastoral Familiar, padre Rodolfo Chagas, diz que a tecnologia não é um problema em si. “As tecnologias e os algoritmos não são maus, pois podem aproximar as pessoas e ajudar no trabalho, na formação e na evangelização”, afirma. O problema, segundo ele, acontece quando a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta e passa a controlar o tempo, os afetos e as escolhas da casa. “Podemos estar perto fisicamente, mas distantes, vivendo um isolamento dentro do próprio lar”, alerta.

O padre sugere que cada família crie regras e horários de convívio. “Uma refeição sem o celular, um momento diário de conversa ou de oração juntos, passeios e encontros entre avós, crianças e jovens são caminhos para recuperar o que o Papa Francisco chamava de ‘a arte da escuta’”, explica. Ele lembra que muitas crises familiares não começam pela falta de amor, mas pela falta de tempo para mostrar esse afeto.

Perguntas simples como “Como você está?” e “O que aconteceu hoje?” ajudam muito no relacionamento entre os membros da família, observa o padre.

Dependência de telas e apostas online

A dependência de telas e o crescimento dos jogos de aposta online, as chamadas bets, deixaram de ser problemas apenas individuais e viraram crises dentro das famílias. Estimativas mostram que as famílias brasileiras perderam cerca de R$ 62,5 bilhões com apostas online.

“Esse é um assunto sério e delicado”, afirma o padre Rodolfo. “As apostas se tornaram uma crise dentro das nossas casas. Recebemos muitos relatos de famílias que estão perdendo bens e ficando endividadas. Vemos jovens de 17 a 19 anos em desespero por causa de dívidas de apostas online”, lamenta.

Para o religioso, a sociedade precisa se organizar e criar uma rede de apoio para ajudar as vítimas da ludopatia, o vício em jogos. “Essas pessoas precisam da ajuda da Igreja e da família para sair do vício. É preciso força de vontade dos familiares para impor limites e buscar uma solução que envolva cuidado espiritual e saúde mental”, diz.

Excesso de estímulos e a rotina familiar

Com tantos estímulos tecnológicos, desacelerar parece difícil. As famílias precisam encontrar caminhos práticos e criar pequenos hábitos para mudar a rotina e resgatar tradições saudáveis, como as refeições à mesa, sem precisar afastar os filhos do mundo digital por completo.

“Desacelerar não significa abandonar a tecnologia, mas recuperar a liberdade de decidir quando, como e para que vamos usá-la”, pondera o sacerdote. “Não devemos ter medo do nosso tempo, que é o tempo dos algoritmos, da inteligência artificial e dos meios digitais, mas aprender a viver e a evangelizar nele.”

O padre sugere começar aos poucos. “A família pode escolher um ou dois dias na semana para dar os primeiros passos. O importante é iniciar. Mais do que preparar algo elaborado, o essencial é transformar um momento simples, como um lanche da tarde ou um bolo de fubá com café, em um ponto de encontro e partilha”, recomenda.

A família como primeira comunidade

No Mês Vocacional, a família é vista como a primeira comunidade e o primeiro ambiente de cuidado. Preservar essa força é essencial em um mundo marcado por divisões.

“A espiritualidade, o diálogo e a convivência formam uma rede que sustenta os desafios do dia a dia”, afirma o padre. “A Pastoral Familiar trabalha esse acompanhamento com e para as famílias, começando dentro de nossas casas e se expandindo para toda a sociedade”, finaliza.

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