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Fim do sonho americano da MRV deixa rombo bilionário

A operação da MRV&CO nos Estados Unidos, iniciada em 2019 com a compra da Resia, resultou em prejuízos bilionários para o grupo. O balanço do segundo trimestre, divulgado na noite de quarta-feira, 12, mostrou perda líquida consolidada de R$ 626,3 milhões.

O resultado negativo foi puxado pela Resia, subsidiária que constrói edifícios e aluga apartamentos nos EUA. O modelo de negócio previa a venda dos empreendimentos inteiros após a ocupação total dos imóveis. A empresa, criada em 2012 na Flórida por um grupo liderado por Rubens Menin, foi comprada pela MRV em 2019 por US$ 230 milhões.

O plano inicial era ampliar a produção anual de 700 para até 24 mil apartamentos em dez anos. Em 2022, o grupo contratou BTG Pactual e Bank Of America para buscar sócios, mas o processo foi interrompido com a alta da inflação e dos juros nos EUA. Sem parceiros, a Resia financiou os projetos com dívidas, que chegaram a US$ 745 milhões no fim de 2024.

A empresa também enfrentou problemas com projetos em locais com excesso de oferta de moradias, o que atrasou a locação e reduziu os preços de venda. Em 2025, o grupo começou a liquidar ativos para gerar caixa. No ano passado, houve perda de US$ 144 milhões com baixa contábil. Neste mês, outra perda de US$ 110 milhões foi reportada. Somadas, as baixas somam cerca de R$ 1,3 bilhão a R$ 1,4 bilhão.

O copresidente da MRV&CO, Rafael Menin, afirmou que a prioridade foi gerar caixa. As vendas de ativos da Resia neste ano levantaram US$ 400 milhões, o que deve reduzir a dívida líquida do grupo de R$ 5,9 bilhões para R$ 4,6 bilhões. O diretor Financeiro, Ricardo Paixão, disse que a empresa optou por desalavancar mais rápido, mesmo com condições de mercado piores que o esperado.

A Resia ainda tem ativos remanescentes avaliados em US$ 370 milhões, incluindo um empreendimento em Miami, terrenos e a fábrica de pré-moldados. As vendas devem se estender até 2028. A MRV, divisão de moradias populares do grupo, teve lucro líquido ajustado de R$ 155 milhões no segundo trimestre, alta de 28,2% ante o mesmo período do ano passado. A empresa produz cerca de 40 mil apartamentos por ano em 90 cidades.

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