Esposa de Ramagem falta há 9 meses e acumula licenças
A procuradora de Roraima Rebeca Ramagem, esposa do ex-deputado Alexandre Ramagem, está há nove meses sem exercer a função. Desde que viajou para os Estados Unidos, em novembro de 2025, após a fuga do marido, ela emendou férias, licença-prêmio e, atualmente, está licenciada para disputar uma vaga de deputada federal pelo Rio de Janeiro. Além disso, ainda precisa justificar 45 dias de ausência.
Ex-diretor da Abin no governo Jair Bolsonaro, Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão em setembro de 2025 e fugiu para os Estados Unidos no mesmo mês. Ele foi preso em 13 de abril de 2026 pelo serviço de imigração norte-americano e liberado.
Segundo a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-RR), a procuradora está afastada por licença para atividade política, pois é candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro. Esta pausa é remunerada, mas suas contas estão bloqueadas por decisão do STF. De acordo com a PGE, a licença tem vigência de três meses, com efeitos a partir de 4 de julho de 2026. Antes disso, ela estava em licença-prêmio de 8 de maio até 7 de julho de 2026, que já havia emendado com os 78 dias de férias acumuladas com início em 20 de fevereiro.
Para a viagem aos Estados Unidos em novembro, Rebeca apresentou um atestado médico com validade até 19 de fevereiro de 2026. Como não compareceu à perícia, o afastamento não foi formalmente reconhecido. Um pedido posterior para realização de perícia por telemedicina chegou a ser feito por ela, mas foi negado. Sua ausência entre 7 de janeiro e 20 de fevereiro de 2026 ainda depende de apuração interna e julgamento pelo Tribunal de Justiça de Roraima. Na prática, ela precisa justificar 45 dias de faltas.
Em relação ao regime de trabalho, a PGE-RR afirma que Rebeca não está autorizada a atuar remotamente desde 2020. Em nota, o órgão informou que o teletrabalho, concedido de forma precária, foi revogado a pedido da própria procuradora em agosto daquele ano, quando ela também solicitou remoção definitiva para a unidade da PGE em Brasília. Desde então, segundo o órgão, sua lotação é presencial. Nas redes sociais, Rebeca criticou a decisão e afirmou ser alvo de perseguição. Segundo ela, a exigência de retorno presencial foi uma medida “desproporcional e arbitrária”, com o objetivo de prejudicá-la e romper a isonomia interna.
No anúncio de sua candidatura no Instagram agora em julho, a procuradora afirmou que sua família sofre perseguição por querer o melhor para o Brasil e que é vítima de injustiça.
“Se meu marido não pode retornar agora, eu vou poder. Com apoio e indicação da família Bolsonaro, decidi concorrer a deputada federal pelo Rio de Janeiro. Queremos, sim, a defesa do cidadão de bem, o respeito às leis e acabar de uma vez com abusos, perseguições e esses benefícios aos criminosos. Temos que ser firmes e fortes contra o crime. Temos que proteger as famílias brasileiras, as pessoas decentes e de bem.”