El Niño: governo reduz hidrelétricas
O governo federal decidiu reduzir a geração de energia das hidrelétricas para armazenar mais água nos reservatórios e reforçar a segurança hídrica do sistema elétrico. O objetivo é enfrentar os efeitos do El Niño, previsto para o segundo semestre deste ano.
O El Niño é um fenômeno climático marcado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. O evento, que costuma ocorrer a cada dois a sete anos, altera os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta. No Brasil, pode intensificar o calor, aumentar o risco de seca em partes do Norte e Nordeste e provocar chuvas acima da média no Sul.
A medida faz parte de um pacote de ações aprovado pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). Segundo o colegiado, a probabilidade de ocorrência do El Niño no segundo semestre é de 70%.
Entre as demais medidas adotadas estão: acompanhamento intensivo das condições hidrometeorológicas que afetam o sistema elétrico; criação de uma sala de monitoramento do abastecimento de combustíveis para os sistemas de geração da Região Norte; e participação em grupos interinstitucionais sobre o fenômeno, com órgãos como a Casa Civil e a Defesa Civil. O plano também prevê o monitoramento e a adoção de medidas preventivas por agentes dos setores de geração, transmissão e distribuição de energia.
Segundo especialistas, o fenômeno, provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico na costa do Peru, já começou a influenciar o clima e tende a favorecer tempestades severas e enchentes, especialmente na Região Sul. A previsão ocorre em um momento em que diferentes partes do mundo enfrentam uma sequência de desastres relacionados ao clima.
Na Europa, incêndios florestais ganharam força com o aumento das temperaturas. Índia e China registraram enchentes e ondas de calor, enquanto o Chile enfrentou nevascas e inundações. No Brasil, o Rio Grande do Sul foi atingido por chuva intensa, granizo e tornados.
De acordo com os pesquisadores, o fenômeno já está formado e seus efeitos devem ficar mais intensos ao longo dos próximos meses. “Ele agora já está influenciando. Já está favorecendo essas tempestades severas, inundações no Sul, e o pico que se espera desses eventos deve acontecer daqui a alguns meses”, disse um especialista.