Casas Bahia: prejuízo de R$ 10,1 bi e ajustes
A Casas Bahia registrou um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre deste ano. O resultado foi fortemente impactado por R$ 9,1 bilhões em efeitos não recorrentes, conforme balanço divulgado pela companhia.
Diante do cenário, a varejista anunciou ajustes em seu plano de reestruturação. A nova estratégia prevê o fechamento de 298 lojas e a priorização de margem e geração de caixa no canal online. A empresa também admite que estuda uma nova recuperação extrajudicial ou judicial.
O anúncio foi feito após a conclusão de uma revisão estratégica, que apontou a necessidade de redução de custos e de uma operação mais enxuta. A companhia informou que as medidas visam adequar a estrutura à atual realidade do varejo, marcada por juros altos e menor consumo das famílias.
Com o fechamento das unidades, a empresa espera reduzir despesas fixas e concentrar seus investimentos nos canais digitais, que têm apresentado melhor desempenho operacional. A reestruturação também inclui a renegociação de dívidas e a revisão de contratos de aluguel e logística.
A Casas Bahia afirmou que as mudanças no plano de reestruturação foram necessárias para garantir a sustentabilidade do negócio no longo prazo. A companhia não descarta novas medidas de redução de custos nos próximos meses, dependendo da evolução das vendas e do cenário econômico.
O mercado reagiu com cautela à notícia. Analistas apontam que o prejuízo bilionário e a possibilidade de uma nova recuperação judicial aumentam a incerteza sobre o futuro da varejista, que já vinha enfrentando dificuldades financeiras desde o ano passado.
A empresa encerrou o trimestre com uma dívida bruta elevada e capital de giro comprometido. A administração afirmou que está trabalhando para alongar o perfil da dívida e melhorar o fluxo de caixa, mas reconheceu que o ambiente operacional segue desafiador.
Especialistas do setor avaliam que o fechamento de lojas é uma medida inevitável para reduzir a queima de caixa, mas alertam que a redução da presença física pode impactar as vendas em regiões onde o e-commerce ainda tem baixa penetração. A companhia, no entanto, aposta na força da marca e na capilaridade digital para manter sua participação no mercado.