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Ataque hacker na França expõe 678 mil contas fiscais

O governo da França confirmou que um ataque hacker aos sistemas da Direção-Geral das Finanças Públicas (DGFiP) resultou na extração de dados de 678 mil contas de pessoas físicas e empresas. A invasão aconteceu no fim de junho e foi divulgada publicamente na última sexta-feira (14).

De acordo com o gabinete do primeiro-ministro, uma reunião de crise interministerial será realizada nesta segunda-feira (17) para definir o plano de comunicação com os afetados e possíveis medidas de proteção adicionais. As notificações individuais começam a ser enviadas no mesmo dia, conforme comunicado citado pela Bloomberg.

A Procuradoria de Paris abriu investigação criminal para apurar o caso, com a condução da unidade de cibercrime da polícia francesa. O objetivo é identificar como a invasão ocorreu, possíveis responsáveis e se houve participação de organização criminosa, crime que pode gerar pena mínima de cinco anos de prisão.

O Ministério da Economia também anunciou uma auditoria técnica liderada pela Agência Nacional de Cibersegurança e Ciberdefesa (ANSSI). Os resultados serão encaminhados às comissões de Finanças da Assembleia Nacional e do Senado.

Em mensagem na rede X, o ministro David Amiel afirmou que os ataques a serviços públicos estão aumentando e que a ameaça tende a crescer com o avanço da inteligência artificial. Ele citou medidas em andamento, como autenticação de dois fatores para servidores com acesso a arquivos, sistemas de detecção precoce de vazamentos e revisão dos protocolos de acesso a dados.

Dados expostos

Na nota oficial, o governo informou que os acessos ilegítimos foram usados para consultar e extrair dados fiscais como renda tributável de referência, quociente familiar e alíquota de retenção na fonte. Também houve consulta a endereços e informações de imóveis, como áreas. No caso de empresas, constam razão social e identificadores administrativos, como o SIREN.

A diretora-geral da DGFiP, Amélie Verdier, disse que o invasor usou a identidade de um agente público. Inicialmente, a administração acreditava que não havia ocorrido extração de dados. A confirmação veio depois que o suposto hacker se vangloriou do roubo em 12 de agosto. Verdier afirmou que não houve acesso a elementos que permitissem entrar nas contas pessoais dos contribuintes nem a declarações completas de imposto de renda.

O site especializado French Breaches estimou que 678.437 pessoas foram afetadas, sendo 392.867 particulares e 285.570 profissionais. A publicação também relatou que o arquivo com os dados estaria à venda por vários milhares de euros. A mesma fonte citou uma possível segunda fuga relacionada à DGFiP, envolvendo cerca de 2 milhões de proprietários de imóveis, com dados cadastrais como identificadores fundiários e parcelas. Essa informação não foi confirmada oficialmente até o momento.

As autoridades francesas informaram que os contribuintes impactados receberão comunicação individual com detalhes sobre quais informações podem ter sido consultadas e orientações de segurança.

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