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Asteroide: Tierra fue un horno antes del invierno

Um novo estudo publicado no Journal of Geophysical Research: Biogeosciences sugere que o impacto do asteroide que exterminou os dinossauros há 66 milhões de anos pode ter tido um efeito ainda mais imediato e devastador do que se imaginava. Antes do longo inverno global que bloqueou a luz do sol, a Terra teria se transformado em um imenso forno em questão de minutos.

Segundo os pesquisadores, o asteroide de Chicxulub, que atingiu a atual península de Yucatán, no México, liberou uma quantidade colossal de energia. Milhões de toneladas de rocha foram vaporizadas e lançadas a grandes altitudes. Uma parte desse material se condensou em pequenas esférulas de rocha fundida, que caíram de volta à Terra. Outra fração permaneceu na atmosfera como vapor, formando partículas de poeira extremamente finas.

A novidade da pesquisa está no papel dessa poeira fina. Modelos anteriores já haviam analisado o calor gerado pela reentrada das esférulas na atmosfera. O novo trabalho, porém, defende que a enorme quantidade de poeira fina distribuída pela atmosfera teria funcionado como uma manta térmica, retendo o calor perto da superfície e amplificando o pulso de radiação. Isso teria criado um ambiente praticamente inabitável para a maioria dos animais que não encontraram abrigo.

Os cálculos indicam que o fluxo de calor teria sido suficiente para incendiar vegetação seca, líquens e outros materiais combustíveis, podendo gerar incêndios de grandes proporções. A radiação térmica também teria sido letal para muitos vertebrados terrestres. Nesse cenário, a sobrevivência dependeria menos do tamanho do animal e mais da capacidade de se proteger em tocas, na água ou em cavidades naturais.

A pesquisa se baseia em simulações físicas e em novas evidências geológicas, incluindo o famoso sítio de Tanis, em Dakota do Norte, nos Estados Unidos. No local, foram encontrados peixes que morreram no dia do impacto, com esférulas presas nas brânquias. Sobre esses depósitos, há uma camada distinta de poeira muito fina, rica em elementos ligados ao impacto. Essa separação indica que o vapor de rocha se condensou depois, formando uma poeira que se espalhou globalmente.

Os autores do estudo não descartam a teoria do inverno de impacto, mas a ampliam. Eles propõem que o planeta passou por duas fases consecutivas: primeiro, um aquecimento extremo e imediato, com potencial para incendiar vastas áreas; depois, um longo período de escuridão e resfriamento. A mesma poeira que intensificou o calor inicial teria, mais tarde, bloqueado a luz solar por anos, interrompendo a fotossíntese e entrando em colapso as cadeias alimentares.

O estudo reabre o debate sobre o que causou a extinção de 75% das espécies. Para os pesquisadores, o impacto de Chicxulub teria sido suficiente para explicar a mortalidade em massa da fauna terrestre, sem a necessidade de considerar outros fatores, como o vulcanismo das armadilhas do Decão, na Índia. A proposta, no entanto, precisará de novos estudos em outros locais para ser confirmada.

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